09 de julho de 2026
Articulistas

Então... é tempo de Natal?


| Tempo de leitura: 2 min

Já se percebe a cidade mais movimentada, o trânsito mais confuso, as pessoas apressadas (e muitas, nervosas), as lojas cheias, os crediários e promoções em ebulição e as vendas a todo vapor. As casas noturnas (espetinhos e rodízio de pizzas) abarrotadas com as confraternizações de final de ano, as pessoas menos favorecidas “pedindo”, em semáforos e similares, um “presente” de Natal, as tradicionais realizações “natalinas” de promoção social à população mais carente, e por aí vai a incessante, incansável e desumana busca por vendas, por lucros, por encerrar o ano com o mais alto grau de satisfação material. Obviamente, toda e qualquer cidade necessita ter um comércio pujante e significativo, senão, a mesma não sobrevive.Mas me pergunto, por que muitas ações somente aparecem em época tão marcante? Por que os menos favorecidos, nesse “tempo” de Natal, são tão lembrados? Por que toda ação comunitária vive aparecendo na mídia, em época natalina, por ter realizado uma “boa-ação” para os menos favorecidos? Por que todas essas ações, promoções, etc, não acontecem e são noticiadas durante o ano todo? É porque, em época “natalina”, estamos mais susceptíveis ao nosso emocional, então, o que não fazemos durante o ano todo queremos “compensar” nessa época e, depois, nos esquecemos novamente e retornamos a rotina do espírito “natalino” no novo ano que se aproxima.

Certamente, é tempo de festa, de confraternização, de alegria, de renovação e de esperança, mas não podemos nos esquecer que se fôssemos mais conscientes de nosso papel de agentes modificadores da sociedade, poderíamos alterar essa “bandalheira” em nossa política, em nossos governantes e em nossa sociedade como um todo. Somos um povo por demais “bondoso” e, por isso, negligenciamos muitas das “sacanagens” que fazem com nosso país. Se aproveitássemos esse “espírito natalino”, que geralmente nos cerca, poderíamos mudar o mundo, mas como somos um povo pacífico demais, não somos politizados e, por isso, o Brasil caminha de maneira tão irresponsável. Somos apenas expectadores. Que pena!

Mas, retornando ao tema principal, não podemos nos esquecer de quem é o dono da festa que se aproxima, já que nesse dia bebemos muitos, trocamos inúmeros presentes, gastamos muito, abraçamos todo mundo, fazemos muito baderna, provocamos acidentes leves e graves, e achamos nosso comportamento lindo, natalino, fraterno, mais humano, e o aniversariante do dia fica num segundo ou terceiro plano, certamente, horrorizado com o espetáculo que a humanidade está transformando o dia dAquele que nasceu para nos salvar. Se você não se lembra mais dEle, perdeu seu contato, ou não sabe quem Ele é, e nem tem idéia do que seja o Natal, faça uma busca via internet, através do Google, Yahoo, Cadê, Orkut, Messenger, etc. Fatalmente, você obterá informações e, ao descobrir o e-mail dEle, não perca seu tempo, envie uma mensagem de Feliz Natal! Que em todos os dias do novo ano sejamos menos materialistas e mais humanos.

O autor, João Fernando Paluan, é mestre e professor universitário de música - e-mail: jf.paluan@uol.com.br