Tóquio - O São Paulo cumpriu o mínimo esperado de seu desempenho no Japão, ontem em Tóquio, ao derrotar o Al Ittihad por 3 a 2, e se garantir para a decisão do Mundial de Clubes da Fifa, mas o resultado parece não ter mudado o clima de instabilidade que toma conta do grupo são-paulino. A principal amostra é o fato de os atletas resolverem fechar a boca, num ato de rebeldia, e não falar com a imprensa após o confronto com o time árabe no estádio Nacional de Tóquio.
Ao passarem pela zona mista, local onde param para dar entrevistas, os são-paulinos diziam que não poderiam parar e falar com os repórteres. Visivelmente constrangido, o atacante Grafite foi o primeiro a aparecer na sala para entrevistas e avisou os repórteres que ninguém do grupo daria qualquer tipo de declaração. “Fomos instruídos para não falar. O pessoal está chateado com certas coisas que saíram na imprensa e que não são verdade. Acho que foram os assuntos sobre a premiação e o caso envolvendo a renovação do Amoroso. É isso”, resumiu o jogador.
Até o goleiro Rogério, líder do elenco, deu a entender de que o grupo apenas cumpriu ordens ao boicotar a imprensa. “Mandaram a gente falar depois no hotel”, falou o capitão do time, que, no entanto, assumiu o papel de ser um dos dois jogadores do time obrigados pelo protocolo da Fifa a dar declarações após a partida.
Amoroso também parou brevemente para conversar com repórteres e, com o auxílio do superintendente Marco Aurélio Cunha como tradutor, respondeu a perguntas feitas em inglês por um repórter de uma TV árabe.
A diretoria se eximiu de culpa sobre a greve de silêncio dos jogadores, mas disse que respeitaria a decisão do elenco, dando a entender que a atitude partiu do próprio grupo de jogadores. “De maneira nenhuma isso partiu de nós”, disse o diretor de planejamento João Paulo de Jesus Lopes, eximindo os cartolas de terem planejado o ato de protesto.
Já o técnico Paulo Autuori não concordou com o ato de silêncio, mas disse que respeitaria a decisão e que ela já teria hora determinada para acabar: após o primeiro treino em Yokohama, onde o time disputará o título de campeão mundial contra o vencedor do jogo de hoje entre o Liverpool e o Deportivo Saprissa. “Essa é uma forma de protestar, mas a melhor arma do homem é o diálogo”, filosofou o treinador.
Fechar a boca foi a forma encontrada pelos jogadores do São Paulo para revidar o fato de os meios de comunicação brasileiros que estão no Japão especialmente para acompanhar o clube na busca pelo tricampeonato terem divulgado problemas internos do time, focados basicamente em duas frentes: a discussão da premiação pelo título e a situação de Amoroso após o torneio.
A primeira questão foi levantada já em solo japonês, quando alguns jogadores resolveram discutir o valor do prêmio pela conquista - a diretoria do São Paulo estaria oferecendo cerca de R$ 160 mil para cada jogador pela conquista do tri Mundial.
Já o segundo problema, nascido ainda no Brasil, ganhou corpo após o presidente do clube, Marcelo Portugal Gouvêa, praticamente dispensar Amoroso, que ontem repetiu o que já fizera nas partidas das semifinais e finais da Libertadores e foi o destaque da equipe - marcou dois dos três gols são-paulinos e já é um dos artilheiros do torneio internacional.
O presidente do clube brasileiro não gostou de ter se tornado pública a informação que o atacante assinou um pré-contrato com o FC Tokyo, em vínculo que prevê uma multa rescisória de US$ 500 mil (cerca de R$ 1,2 milhão). Na semana de preparação no Japão, Amoroso voltou a criticar a falta de interesse da diretoria, que não se mexeu para para antecipar a sua renovação de contrato.