10 de julho de 2026
Política

Prefeitura ainda não sabe como adaptar igrejas como creches; vereadores temem

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

A prefeitura de Bauru ainda não definiu quais critérios serão utilizados na adequação de espaços em templos religiosos para receber crianças que não conseguirem vagas em creches do Município. Em audiência pública realizada ontem, na Câmara Municipal de Bauru, a secretária de Educação, Ana Maria Daibem, disse que ainda serão feitos estudos para definir os critérios de avaliação dos espaços, para saber se atendem ou não às especificações.

A utilização de templos religiosos é a saída anunciada pelo Executivo como forma de atender parte de uma demanda de 2.000 vagas excedentes. De acordo com a secretária, para atender essa demanda com rede própria seria necessária a construção de 17 unidades. “Imagina o que custa cada creche, como é que nós vamos construir 17 concomitantemente? É impossível”, frisou Ana Daibem.

Apesar de não ter definido como será feita a adequação, a prefeitura já pensa em ampliar a parceria, buscando espaços em entidades e sindicatos. “Vamos estimular essas parcerias, para tentar sanar a falta de vagas”, reforça, conforme o que foi divulgado pelo JC no início da semana.

Atualmente a perspectiva de ampliação de vagas nas creches, segundo a secretária, é a construção de três Centros de Educação Municipal Integrada (Cemi), que abrigariam crianças de zero a seis anos e da primeira à quarta série do ensino fundamental. Esta é a previsão para 2006.

Preocupação

A vereadora Majô Jandreice (PC do B) demonstrou preocupação com a utilização de templos religiosos como creches. “Meu medo é que uma coisa provisória acabe se tornando permanente”, disse.

Para a vereadora, a parceria é saudável, não só com igrejas, mas com outros setores da sociedade civil, mas é preciso ter muito bem estabelecido como serão essas parcerias. Majô ressaltou que não tem nada contra as religiões, mas tem uma ressalva quanto à utilização dos espaços das igrejas. “São questões distintas: a creche tem que ser um espaço de educação e tratado como tal, não como um espaço, dentro de um local onde se pratica religião”, comentou.

Rede Ferroviária

A secretária de Educação reafirmou ontem a intenção da prefeitura de comprar o prédio da Rede Ferroviária Federal, que seria utilizado para abrigar a parte administrativa da secretaria. Segundo ela, atualmente são gastos R$ 6 mil por mês em aluguéis de prédios que abrigam essas unidades administrativas. “Nossa estrutura está defasada. Com a aquisição do prédio podemos modernizar essa estrutura e reduzir os gastos com aluguéis”, afirmou.

Para o vereador Marcelo Borges (PSDB), a compra do prédio seria um erro. De acordo com ele, a prefeitura precisa se preocupar em aplicar os recursos para aumentar o número de vagas, deixando de lado a parte burocrática. “Eu fico triste. A secretária disse que no ano que vem nós vamos ter crianças sem creches, sem escola e estão querendo comprar um prédio para ficar a burocracia”, questionou. “Acho importante recuperar um prédio central, mas quando você tira dinheiro da educação, você vai tirar de uma creche, da pré-escola”, concluiu.