08 de julho de 2026
Regional

Concurso levanta suspeita em Ponga

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Pongaí - O concurso público para o preenchimento de 30 vagas para dez cargos diferentes dentro da Prefeitura de Pongaí (100 quilômetros de Bauru) está sendo contestado por uma parte dos candidatos.

Eles reclamam da falta de transparência nas provas e acreditam que possa ter havido manipulação dos resultados para favorecer alguns concorrentes.

Um dos indícios mais fortes de irregularidades apontado pelos candidatos insatisfeitos foi a falta de acesso às respostas das questões. Segundo eles, a empresa contratada para a realização do concurso reteve o caderno de provas e não divulgou o gabarito com as respostas corretas.

Conclusão: os interessados só ficaram sabendo a nota quando a mesma foi afixada no mural da prefeitura. A primeira fase do concurso foi composta por uma prova escrita com 40 questões. As perguntas variavam de acordo com o cargo pretendido.

Cerca de 300 candidatos participaram da primeira fase do concurso, realizada no último dia 13 de novembro.

Na segunda fase, os 114 aprovados foram submetidos a entrevistas. A maneira como foi conduzida essa avaliação, no dia 4 deste mês, também gerou insatisfação entre os candidatos.

Na opinião deles, a entrevista foi curta demais para fazer qualquer avaliação do candidato. Alguns chegaram a afirmar que eleitores do atual prefeito foram beneficiados no concurso.

Em entrevista ao JC no início deste mês, o prefeito Alcides Navarro (PSDB) alegou que a terceirização do concurso tinha como objetivo justamente “evitar polêmica” e demonstrar isenção da prefeitura sobre o processo de escolha dos aprovados.

Estavam em disputa vagas para técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem, enfermeira padrão, auxiliar de educação física, fiscal tributário, professor de pré-escola, fiscal, motorista, servente e zelador braçal. Para concorrer, cada candidato teve de pagar uma taxa de R$ 15,00.

Conotação política

O prefeito Alcides Navarro disse ontem que as denúncias contra o processo seletivo realizado pela prefeitura possuem “conotação política” e teriam como objetivo “tumultuar o concurso”

Ele afirmou que as respostas das questões foram colocadas no mural da prefeitura. Portanto, não procederia a reclamação de que o gabarito não foi divulgado.

Sobre a denúncia de que seus eleitores foram favorecidos no concurso, Navarro disse que “não existe nada disso”. “Quando o concurso é para as penitenciárias do Estado, ninguém fala que houve favorecimento, mas quando envolve a prefeitura sempre levantam suspeitas”, compara.

O assessor jurídico da prefeitura de Pongaí, Eduardo Penariol, informou que qualquer candidato que se sentiu prejudicado pode solicitar a revisão da prova. Esse direito, segundo o advogado, está garantido no edital do concurso.

A solicitação pode ser feita dentro do prazo de 30 dias após a divulgação do resultado final. Segundo Penariol, até ontem não havia sido registrado nenhum pedido de revisão.

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Cartas marcadas

Outra reclamação feita por candidatos que participaram do concurso público em Pongaí é que se tratou de um jogo de “cartas marcadas”.

“Os dez aprovados (para o cargo de servente) são todos do lado do prefeito”, acusa a dona de casa Rosemilda Carvalho, 26 anos, referindo-se ao prefeito da cidade, Alcides Navarro.

A técnica de enfermagem Elaine Cristina Cardoso Guimarães, 24 anos, também disse ter ficado desconfiada. Segundo ela, as três primeiras classificadas para o cargo de técnico de enfermagem já trabalham na prefeitura. “Ninguém que votou contra o prefeito foi aprovado no concurso”, afirma.

Antes do anúncio oficial dos aprovados, o JC recebeu uma carta de um morador da cidade antecipando o resultado final do concurso. De acordo com a denúncia do morador, o concurso iria servir apenas para “cumprir promessas de campanha eleitoral e regularizar a situação de alguns funcionários que estão trabalhando em cargos de comissão”.

Na carta, o morador apresenta uma lista com nove nomes de pessoas que deveriam ser aprovadas no concurso. Coincidência ou não, todos os nomes indicados estão entre os aprovados. Dentre eles, quatro são parentes do vice-prefeito Ademir Bortoli.

Paralelo ao concurso da prefeitura, foi realizado também concurso para porteiro, escriturário, secretário e diretor de secretaria da Câmara de Pongaí. As provas foram aplicadas pela mesma empresa que prestou serviço para a prefeitura.

Na carta enviada ao JC, o morador indica o nome dos quatro que seriam aprovados. Acertou dois. Para secretário foi aprovado um primo do vice-prefeito e para diretor de secretaria um sobrinho do presidente da Câmara, João Donizete Campoi (PFL).

O vereador negou favorecimento e disse que terceirizou o concurso da Câmara justamente para evitar pedidos de ajuda dos candidatos.