08 de julho de 2026
Nacional

Lula se diz vítima de preconceito

Por Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Em sua primeira visita de Estado à Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que “a luta é muito dura, muito difícil”, porque enfrenta “todo tipo de preconceito”. Lula leu um discurso de cerca de dez minutos na Prefeitura de Bogotá e depois improvisou. Após ter dito alguns meses atrás que foi “traído”, ontem o presidente Lula seguiu um caminho oposto e falou que teve “uma surpresa agradável: muita gente de quem não esperávamos apoio nos apoiaram”.

Como o presidente não concedeu entrevistas até o começo da noite, não foi possível saber exatamente de onde, ou de quem, veio essa “surpresa”.

Considerado de esquerda, o prefeito de Bogotá, Luís Eduardo Garzón, afirmou que apóia “plenamente’’ a reeleição de Lula e que está “convencido de que sua campanha e seu governo são supremamente importantes e significativos”. No improviso, o presidente, que ainda não assumiu definitivamente sua candidatura à reeleição no ano que vem, apenas disse que “não consertaremos séculos de erros com um mandato de quatro anos”. Lula falou isso depois de enumerar números positivos de seu governo, como os ganhos nas renegociações salariais.

O presidente viajou à Colômbia acompanhado do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e de outras autoridades. O objetivo da visita é o de firmar acordos de cooperação entre os países, especialmente na área de policiamento de fronteira. Essa viagem estava previamente marcada para o mês de junho, mas a eclosão da crise com o escândalo do “mensalão” fez com que a visita fosse adiada. Lula teve um encontro reservado com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que, assim como ele, tenta a reeleição no ano que vem - com a diferença de que, diferentemente do brasileiro, Uribe goza de apoio de cerca de 70% e deve ganhar com facilidade. “Responsabilidade maior”.

Citando seu passado de dirigente sindical, Lula afirmou que existe um peso maior que o dos outros sobre ele por ter cobrado muito quando representava os trabalhadores, no passado. “Quando um sindicalista passa para a política e ganha o governo de uma cidade, de um Estado ou de um país, a responsabilidade colocada em suas costas certamente é maior do que a de qualquer outro político por uma única razão: porque passamos grande parte de nossa vida fazendo pauta de reivindicações e cobrando dos governantes que fizessem aquilo que entendíamos ser correto”, comparou o presidente.

Mesmo admitindo que ainda faltam avanços, Lula afirmou que “estamos escolhendo a pedra correta, a terra correta, o cimento correto para mostrar que é possível edificar uma América do Sul e uma América Latina mais desenvolvida, mais próspera”. Aplaudido, disse que seu governo é “para aqueles que apenas tinham o direito de gritar que estavam com fome, mas não tinham o direito de comer”.

Ao citar que vai encerrar este ano com 8,7 milhões de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa-Família, afirmou que essas pessoas “passaram a conquistar o direito de dizer a nós governantes, finalmente: “Alguém lembrou que eu existo depois das eleições”.