10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Servidores públicos do sistema prisional do Estado de São Paulo


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Uma classe desvalorizada pelo setor público e pelo público em geral por falta de informações das funções executadas pelos funcionários, pois para a maioria da população os servidores que trabalham no sistema apenas abrem ou fecham portas, mas na realidade a situação é completamente diferente, pois os mesmos executam tarefas como: enfermeiro, psicólogo, assistente social, motorista, escolta, reeducador, além de ser o elo de ligação entre os reeducandos e o mundo lá fora, sem contar que prestam também relevantes serviços jurídicos a todos os sentenciados. É considerada a classe trabalhadora que corre o maior risco de vida do mundo, pois tem sobre sua responsabilidade uma média de 1.000 (um mil) detentos por unidade que em certos horários ficam soltos no raio e os agentes transitando entre eles tendo como armas caneta e apito.

E sabem porque desconhecem todo nosso trabalho? Simplesmente porque não fazemos propaganda sobre isso ao contrario de outras secretarias que até fazendo o que não cabe a eles são elogiadas, são enaltecidos em todas essas ocasiões. Nós somos lembrados pela mídia quando o pior acontece, aí sim somos taxados de corruptos, vagabundos, coniventes o que é uma injustiça, pois as pessoas que nos dão essa conotação nunca estiveram em uma unidade prisional e nem sonham quantas dificuldades nos temos para cumprir com o dever, pois somos completamente excluídos, tanto pela mídia como pelo governo, pois esse se preocupa em dar frotas de veículos a outras secretarias, pois repercussão é inteiramente favorável a seus propósitos políticos.

Caso os senhores queiram conferir dirijam-se as unidades prisionais de Bauru e irão constatar a precariedade que trabalhamos usando verdadeiras sucatas. Confiram e depois digam se isso é verdade ou não. Triste é verificar que em uma recém cartilha lançada (em estudos) existem somente deveres do funcionário, direitos os que estão explícitos não são cumpridos pelo governo, e para provar o que digo recentemente fizemos uma paralisação da classe no estado de São Paulo, onde os funcionários agiram com consciência, não houve siquer um incidente, uma greve que não foi considerada ilegal, no entanto foram descontados os dias parados e até hoje apesar de termos entrado na justiça, não houve reembolso.

Estamos também sofrendo descontos de 5% de nossa remuneração (desconto adicional) a favor do Iamspe, mas até hoje não obtivemos resposta para onde estão sendo usados esses valores. Aproveitar o horário político para dizer que é “bonzinho” é muito bonito para quem está por fora dos desmandos do governo, mas para nós, até que ele nos de uma notícia humanitária, até que chegue a conclusão de que 30% de nossa classe sofre e necessita de amparo daquele que é nosso patrão até que não sejamos mais tratados como cães raivosos, pois somos humanos, temos família, queremos ter orgulho de pertencer a está classe, pois somos dignos, honestos e conscientes de nossos deveres. Quando ele demonstrar isso, passaremos a acreditar no espírito humano e solidário que ele nos passa através da mídia.

Pedro Faria Lopes