08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“Aquele apito”


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O último apito melancólico ela foi dar e a nossa saudosa Maria Fumaça estava nos deixando para se aposentar. Depois dela, outras locomotivas tomaram seu lugar, mas nenhuma delas deixou tantas histórias para contar. Ela saía de Bauru para ir cortando o sertão do Noroeste até a Bolívia chegar. Ao sair de Bauru, ao passar pela cancela da Vila, ela danava a apitar para avisar aos transeuntes que ia passar, ela não era uma locomotiva rápida, mas sempre seguia sem parar sobre os velhos dormentes a trepidar, e quem com ela viajava nunca tinha pressa de ir e voltar, porque suas viagens sempre tinham belas paisagens para admirar, e as crianças sempre suas janelas a disputar, todos queriam ver a locomotiva a fumegar.

E quantos pirangueiros seus vagões iam alugar para ir fazer suas caçadas e pescarias no Pantanal Mato-grossense, e por muitas décadas ela foi fiel aos seus usuários, até o dia que o progresso veio a desbancá-la, para tristeza de muitos saudosistas a lamentar. Mas suas trajetórias por Bauru ela ficou, e a ferrovia e a nossa Maria Fumaça muito colaborou para que Bauru seja hoje uma das cidades de grande prestígio nacional. Agora parece que um pouco de alegria está a voltar, a Maria Fumaça voltou a apitar, mas não para longas jornadas e sim para pequenos passeios realizar, para alegrias das crianças e de muitos adultos também. Vamos colocar lenha na caldeira para ela poder apitar, para todos nós bauruenses escutar, e lembrar que foi por causa dela que aqui hoje viemos morar. E com muito pesar e uma dor no coração, os nossos governantes, as nossas ferrorias foram desativar. “Que pena”.

Florindo Martins - RG 9.145.052