11 de julho de 2026
Cultura

Livro sugere alterações na língua

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Imaginem um livro em que todas as palavras sejam escritas como realmente as pronunciamos. Os filólogos podem arrepiar os cabelos, mas é exatamente isso o que deseja o professor José Perea Martins. São 19 propostas de alteração de regras gramaticais contidas no livro “Reforma do Idioma Português - Uma proposta não utópica”, que o professor lança hoje, às 20h, no Automóvel Club de Bauru. O evento é gratuito e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Nesse sentido, as idéias lançadas em seu livro têm como objetivo aproximar a fonética – o modo de pronunciar as palavras – da grafia – o modo de escrevê-las. O autor cita como exemplo de suas propostas o caso da letra “x”, que possui uma única grafia e cinco pronúncias distintas. “Muitas crianças e adultos não compreendem a nossa língua. Questionam-se como um mesmo som pode ser codificado de diversas formas. Queremos apenas simplificar a linguagem”, aponta Perea.

O autor sugere que sejam eliminados os tremas, apóstrofos e hífens. Além disso, a letra “m” utilizada antes das consoantes “p” e “b” seria abolida em favor da “n”. Perea também aponta a simplificação das regras de acentuação como maneiras de tornar acessível à maioria o conhecimento da língua. “Muitos vão pensar que estamos empobrecendo a beleza da língua, pode até ser, mas o mais importante é facilitar o aprendizado”, diz o autor, que ainda questiona. “O que adianta defendermos um português lindo usado apenas por uma minoria?”.

Mudança nas escolas

As idéias de Perea visam uma reformulação na estrutura educacional brasileira. O autor já entrou em contato com a Academia Brasileira de Letras para que seu livro seja aceito. Caso isso ocorra, há chances de que as propostas se tornem lei, que deverá ser seguida por educadores de todo o País. “Não fui eu que inventei esse movimento de reformulação. É uma necessidade sentida por muitos gramáticos, como Menot Del Picchia e Domingos Paschoal Segalla”, cita.

O autor espera que as autoridades se modernizem para que a língua portuguesa seja valorizada. Perea aponta o atual fenômeno da escrita da Internet como um fator de risco. “Precisamos repensar nossa língua, para que os brasileiros saibam lê-la e não acabem migrando para regionalismos ou essa linguagem empobrecida do universo virtual”, afirma.

Para que haja uma maior divulgação dessas propostas, o autor tem planos de colocar em funcionamento em 2006 a Organização Não Governamental (ONG) Alfabeto sem Amarras. A instituição teria como objetivo agregar adeptos e promover discussões entre catedráticos e interessados no assunto sobre formas de simplificação das regras gramaticais.

• Serviço

Lançamento do livro “Reforma do Idioma Português – Uma proposta não utópica”, de José Perea, às 20h, no Automóvel Clube de Bauru (praça Rui Barbosa, 1-23). A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3235-1072.