09 de julho de 2026
Geral

Mulheres se esforçam para fazer o pré-natal

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Num giro de apenas cinco minutos pelo Jardim Nicéia, a reportagem conseguiu localizar quatro mulheres grávidas com faixa etária entre 20 e 27 anos. Todas elas levam consigo uma queixa em comum: a dificuldade de locomoção para fazer o exame pré-natal. Independentemente do tamanho da barriga, percorrem pelo menos quatro quilômetros a pé para passar pelo médico da unidade básica de saúde (UBS), no Jardim Europa.

Sob chuva ou sol, a maioria persiste na caminhada pelo menos até a sexta consulta, número mínimo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É o caso de Valdelice Costa, que foi mãe há pouco mais de um ano. No final da gravidez, desistiu da 7.ª “visita” médica. “Fui a pé enquanto deu. Agora meu marido me leva de carro. É muito longe”, afirma Eliane Alves de Souza.

Pronta para dar à luz a qualquer momento, ela reconhece que ter carro é privilégio para poucos no bairro. Claudinéia da Silva não tem a mesma vantagem. Com três meses de gestação, ainda não passou pelo médico, nem agendou consulta. Reticente, promete procurar o médico. A iniciativa deve partir espontaneamente da grávida, explica Cristiane Castilho, coordenadora da ginecologia e obstetrícia das unidades básicas de saúde.

De acordo com ela, as gestantes têm prioridade no agendamento das consultas. “Mas muitas delas iniciam o pré-natal tardio”, informa. Por essa razão, nem todas as mulheres passam pelas seis consultas recomendadas pela OMS. O ideal é que dez sejam feitas durante os nove meses. A informação, no entanto, nem sempre chega às gestantes. O município não dispõe de campanha educativa específica para este público. Neste quesito, conta com o apoio dos governos estadual e federal.

Mesmo assim, segundo Castilho, o índice de cobertura (de consulta pré-natal) em Bauru é boa. Sem apresentar números, garante que o município está dentro da média estadual.