08 de julho de 2026
RH & Tendências

O clube da excelência


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A Universidade de São Paulo (USP), segundo uma série de parâmetros, é a mais importante instituição pública de ensino superior do Brasil. Tem 75.962 alunos, oferece 221 programas de pós-graduação e, sozinha, é responsável por um quarto da produção científica nacional. Não é tão simples situar a USP, ou qualquer outra grande universidade brasileira, entre as melhores do mundo.

No ano passado, o jornal britânico “The Times” publicou pela primeira vez um ranking das 200 melhores universidades do planeta - e não havia nenhum representante brasileiro. A metodologia do levantamento mudou e, na segunda edição do ranking, divulgado em novembro, a Universidade de São Paulo, enfim, apareceu. Está em 196º lugar. É a única instituição da América do Sul a figurar no levantamento – e a segunda da América Latina, sendo superada pela Universidade Autônoma do México (Unam), que está na 96ª posição.

A produtividade da Universidade de São Paulo é crescente – o número de artigos publicados em revistas científicas avança a uma velocidade de 10% ao ano -, mas isso era ofuscado pelo prestígio de instituições de países desenvolvidos com muita tradição, e não o mesmo desempenho. Na edição de 2005 a opinião dos acadêmicos perdeu espaço (de 50% para 40% do peso final) e, além de dados sobre citações de pesquisas em revistas científicas, regime de dedicação dos professores, número de docentes e de alunos e a presença de quadros estrangeiros na instituição, inseriram-se novos critérios, como uma consulta a grandes empresas sobre a qualidade da formação superior de seus profissionais.

Comparando-se os dados de 2004 e 2005, as primeiras posições pouco mudaram. A liderança cabe à Universidade Harvard e, em segundo lugar, aparece o Massachusetts Institute of Technology, ambos nos Estados Unidos. As universidades britânicas de Cambridge e de Oxford ocupam, respectivamente, a terceira e a quarta colocações, seguidas de um pelotão norte-americano formado por Stanford, California-Berkeley, Yale, California Institute of Technology e Princeton. No primeiro time, a alteração mais significativa foi a ascensão da École Polytechnique de Paris do 27º para o 10º lugar – e a queda do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, rebaixado para o 21º lugar por ser especializado demais para os novos padrões do ranking.

As universidades brasileiras vinham prestando mais atenção a um outro ranking internacional, publicado desde 2003 pela Shangai Jiao Tong University, da China, que aponta as 500 melhores universidades do planeta. Há quatro universidades brasileiras nessa lista: a USP, a Estadual de Campinas (Unicamp), a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Estadual Paulista (Unesp). Neste levantamento o desempenho é medido por indicadores bastante concretos. A quantidade de artigos publicados nas revistas Science e Nature, por exemplo, tem peso de 20% na avaliação de cada instituição. Respondem por outros 20% as citações de artigos da instituição em outras publicações científicas, tradicional medida de impacto da produção acadêmica. O tamanho da instituição vale 10% do peso. As grandes universidades brasileiras saem-se bem nesses indicadores – o número de artigos científicos brasileiros publicados cresceu quase 50% nos últimos quatro anos. Mas em outros parâmetros simplesmente não marcam pontos: a existência de professores ou ex-alunos que ganharam grandes prêmios científicos, como o Nobel, equivale a até 30% da pontuação final.

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Visibilidade

A análise dos dados de 2004 e de 2005 do ranking da Shangai University revela um desempenho ascendente das universidades brasileiras. A USP foi da 190ª posição no ranking de 2004 para o 146º lugar em 2005. A Unicamp saltou 114 posições: da 367ª em 2004 para a 253ª em 2005. A UFRJ, que estava em 368º lugar em 2004, chegou em 364º em 2005. E a Unesp, 465º lugar em 2004, foi ao 461º neste ano.

Esse avanço é lastreado por um aumento de produtividade – mas, em alguns casos, não só por ele. A existência de um ranking fez com que as instituições se preocupassem em valorizar pontos fortes e em corrigir pontos fracos. O exemplo da Unicamp é emblemático. O salto no ranking deveu-se, em certa medida, a um esforço para tornar mais visível sua produtividade.

“Tomamos várias iniciativas, como a padronização do nome e do endereço da universidade nos trabalhos dos docentes”, diz Daniel Pereira, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp.

A USP também monitora sua situação nos rankings internacionais, mas suas preocupações são de outra natureza. “Começamos a fazer um trabalho com o objetivo de levar nossos pesquisadores a investigar mais problemas na raiz. Em geral, nossas melhores pesquisas são, na verdade, seqüências ou desdobramentos de pesquisas feitas no exterior”, diz o pró-reitor Luiz Nunes de Oliveira.

Não por acaso as quatro universidades brasileiras reconhecidas entre as 500 melhores são as que se consolidaram nas últimas décadas. No caso das três instituições paulistas teve importância a autonomia financeira e um fluxo regular de recursos, garantidos pela legislação. “Graças a isso foi possível investir de modo adequado em ensino, pesquisa e extensão, que são os três pilares de uma grande universidade”, diz Marcos Macari, o reitor da Unesp.

No caso da UFRJ, o desempenho se deve a uma tradição de excelência e aos recursos destinados por empresas como a Petrobras ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), apesar das dificuldades financeiras que as federais sofreram nas últimas décadas.