Para o professor José Xaides, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru, o Mary Dota impulsionou o crescimento da região Leste da cidade por ser o primeiro bairro estruturado daquela área. Porém, o projeto urbanístico não previa a expansão de outros núcleos ao redor, o que provocou vários problemas, inclusive no tráfego. “A avenida principal virou um centro comercial que não atende só o Mary Dota. Ela ficou subdimensionada para atender a atual demanda”, explica Xaides.
Ele acredita que uma maneira de desafogar o trânsito do Mary Dota seria investir na implantação de indústrias naquela região. Para isso, poderiam ser aproveitados os vazios urbanos que existem nas marginais da rodovia que liga Bauru a Iacanga.
Segundo o professor, moradores do Bauru I, Bauru 2000, Jardim Ivone, Quinta da Bela Olinda, entre outros, recorrem constantemente ao comércio, escolas e serviços prestados pelo núcleo. “O que nasceu como um bairro dormitório se transformou num grande centro”, constata. “A arquitetura mudou, mas os espaços públicos como ruas, avenidas e praças permanecem como antes. Assim, esses espaços ficaram pequenos”, emenda.
Xaides também aponta que o traçado ortogonal das ruas, modelo tipicamente implantado no passado pela Cohab em construções de casas populares, causa diversos danos ambientais. “As ruas são bastante inclinadas, fazendo com que a água das chuvas desçam com maior velocidade e provoquem alagamentos”, diz.