10 de julho de 2026
Bairros

Problemas estão por todos os lados

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

Se a questão da dívida dos mutuários com a Cohab fosse solucionada, muitos outros problemas ainda dariam dor de cabeça aos moradores do Mary Dota.

Do fechamento do pronto socorro à interdição da ponte Ayrton Senna, importante ponto de ligação entre o bairro e a Vila Industrial, a população local ainda tem que lidar com a superlotação do transporte coletivo no período da manhã, com a ausência de creches e a indecisão sobre a permanência ou não da Base Comunitária da Polícia Militar.

Segundo a presidente da Associação de Moradores do Mary Dota e Beija-Flor, Selma de Fátima Celestino, a região está merecendo maior atenção por parte do poder público municipal. Ela acredita que faltou força de vontade para solucionar com rapidez a falha na estrutura da ponte Ayrton Senna. “Muita gente daqui foi prejudicada, pois usavam aquele acesso para ir ao trabalho na Vila Industrial”, diz.

O recepcionista de hotel, José Omir Magro, costumava trafegar pelo viaduto para buscar sua esposa que trabalha no Ibama, na avenida Cruzeiro do Sul. “Tenho que andar sete quilômetros para chegar até lá, quando poderia fazer um trajeto de apenas 3 quilômetros”, compara. Além disso, Magro diz que o congestionamento na avenida Marcos de Paula Raphael torna o percurso ainda mais demorado.

Já a líder comunitária Rosemeire Leme de Araújo luta para que a Base Leste da Polícia Militar não seja transferida para o Jardim Godoy. Conhecida pela população como Rose, ela conseguiu aproximadamente mil assinaturas dos moradores das redondezas e apresentou ao chefe de gabinete do município, Paulo Canali. “Nós já perdemos o pronto socorro, a agência do Banespa, quase ficamos sem os Correios e agora vamos perder a Base Comunitária?”, questiona Rosemeire, indignada.

O local onde está situado o posto policial deveria ser destinado para a construção de praça pública, impossibilitando a permanência da PM. No entanto, Ministério Público e prefeitura estudam uma forma de não tirar os policiais do terreno.

Na área da saúde, desde que o pronto atendimento foi fechado, o descontentamento da população é total. E não só por parte dos residentes do Mary Dota, mas também dos bairros vizinhos. O aposentado José Rubens Castilho se recorda de como foi atendido com rapidez quando teve uma crise de labirintite há mais de um ano. Agora, teme por sua saúde, pois num caso de emergência teria que se deslocar até o pronto socorro central. “É muito longe. E se eu não tiver condições de chegar até lá?”, indaga Castilho que visita o Posto de Saúde constantemente para medir sua pressão.

A moradora do Jardim Silvestre, Raquel Santos dos Anjos, diz que é preciso chegar às 5h da manhã para ser atendida pelos médicos do Posto. Ela sofre de sinusite. “Antes era melhor porque eu era atendida na hora em que chegava, agora tenho que ficar esperando por horas”, compara.