09 de julho de 2026
Geral

Bauruense vive tensão na Palestina

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Viajando a convite da Federação da União da Juventude Democrática para observar a situação dos palestinos na Cisjordânia, o bauruense Alex Gasparini, presidente do diretório municipal do PMDB, passa por momentos tensos na região, um dos maiores “barris de pólvora” do mundo em razão dos conflitos étnicos, políticos e religiosos que já se arrastam por séculos entre árabes e israelenses.

A partir da sua chegada na Cisjordânia, Gasparini tem passado por vários sufocos, desde esperar quase três dias para receber autorização de entrada em Telaviv, onde participou de reuniões com grupos que lutam pela paz na Palestina e contra a ocupação israelense, até passar por horas nas área de imigração para conseguir o mesmo objetivo.

Já em Ramallah, a sede do governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), onde já esteve em 2002 para encontrar-se com o então presidente da ANP, Yasser Arafat, a situação não foi diferente. Gasparini conta que, principalmente nos primeiros dias de permanência, pôde sentir os ânimos políticos acirrados em virtude das eleições municipais previstas para ocorrerem na cidade.

“As principais forças partidárias são o All Fatah, partido do atual presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Mazem, o Hamas, que é islâmico, e uma coalizão de pequenos partidos. Só que, apesar da insistência do Hamas em pressionar o processo, o pleito ocorrerá”, relatou por telefone à reportagem. E acrescentou: “E, ao contrário do que se divulga, a presença militar israelense é visível e ainda há colônias de judeus dentro de Ramallah.”

Gasparini complementou que em Nablus, cidade distante cerca de 15 quilômetros de Ramallah, o clima era ainda mais quente e tenso. Foi nela que o bauruense revelou ter passado por um dos momentos de maior medo e constrangimento ocorrido na passagem por um check-point, as barreiras militares impostas pelo governo de Israel com muros de mais de cinco metros de altura, onde permanecem soldados fortemente armados que filtram o ingresso das pessoas a Nablus.

“Após o segundo check-point no caminho de Nablus, fomos abordados por um jipe militar com cinco soldados israelenses. Antes que nos identificássemos, eles agrediram com palavras e empurrões o motorista que seguia com a van sem as indicações da Organização das Nações Unidas (ONU). Me identifiquei como brasileiro e um soldado me perguntou sobre a seleção brasileira falando em espanhol. Disse que o time estava bem, mas ele ordenou que retornássemos a Ramallah e pediu que eu não andasse mais com árabes. Foi revoltante”, recordou Gasparini.

Já no caminho de volta a Ramallah, Gasparini contou ter encontrado duas ambulâncias inteiramente metralhadas. “Isso porque nos check-points se é obrigado a parar e, quando alguma ambulância tenta atravessá-los por conta de alguma emergência, os veículos simplesmente são metralhados. Os soldados não perguntam os motivos e matam todo mundo”, frisou.

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Violência

Para o presidente do PMDB de Bauru, Alex Gasparini, a violência e a opressão contra o povo palestino não diminuiu. “É muito comum as crianças atirarem pedras em jipes israelenses e os soldados revidarem com metralhadoras. Vejo isso todos os dias e parece que para as crianças é uma brincadeira, pois a violência está banalizada e para o cidadão palestino, apesar de ser um ato de resistência pública à ocupação, é algo quase que natural”, relata.

Gasparini conta que a população local também vive amedrontada. “Dá para sentir o medo das pessoas, principalmente das mulheres, que procuram se esconder ao máximo nas ruas e falar o mínimo possível sobre o assunto”, finalizou.