09 de julho de 2026
Geral

Longevidade: pesos dos fatores variam

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 2 min

Do que depende a longevidade? Por que um homem fumante há décadas vive mais de cem anos, enquanto outro, que nunca bebeu ou fumou, morre aos 40 anos com câncer na faringe? Hoje, com a evolução da pesquisa na área da genética é possível detectar, antes mesmo do nascimento, a existência de genes determinantes de várias doenças (inclusive a presença dos oncogenes, responsáveis pela predisposição ao câncer), mas os estudos ainda são insuficientes para garantir uma vida mais longa e saudável.

A qualidade e “quantidade” de vida de cada pessoa, na realidade, não estão atreladas apenas a fatores genéticos, somam-se a eles as inteferências ambientais transformando, significativamente, a história de vida de cada um. Ainda hoje a ciência é incapaz de quantificar a representatividade desses fatores, mas já conta com importantes aliados no diagnóstivo e prevenção de determinadas doenças.

O biólogo geneticista Esiquiel de Miranda, professor titular do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Centro de Genética Humana e Biologia Molecular do Hospital Beneficência Portuguesa, explica a impossibilidade de mensurar a intensidade de interferência dos fatores genéticos e ambientais, que somados trazem a chamada herança multifatorial.

“Não temos como saber qual está atuando com mais intensidade, você tem um patrimônio genético, determinados genes para determinadas doenças, porém há alguns fatores ambientais que podem desencadear e fazer com que um fator genético se manifeste mais cedo”, diz o pesquisador.

Como exemplo, o biólogo geneticista fala sobre a doença de Alzheimer. “Sabemos que é um tipo de neurodegeneração dos neurônios, que não há mais comunicação elétrica entre as sinapses. Existe um depósito que atrapalha essa comunicação com os neurônios. Agora já está na literatura (científica), que em pessoas com uma atividade intelectual bem acentuada, a expressão da doença é menor ou então demora mais para aparecer. Mas nós não sabemos o porquê”, exemplifica.

Os fatores genéticos são aqueles herdados dos ascendentes, como predisposição genética a obesidade, diabetes e problemas vasculares, enquanto os ambientais são todas as interferências do meio no indivíduo. “Aí nós podemos incluir como fatores de risco os produtos químicos, como drogas, fumo, álcool, alimentação inadequada. Há também o sedentarismo, estresse, a insegurança, que gera medo e frustração”, destaca.