08 de julho de 2026
Polícia

Kin Chong vai ao CDP e mulher é presa

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Miriam Law, esposa de Law Kin Chong, considerado o maior contrabandista do Brasil, foi presa, ontem pela manhã, em Bauru, pela Polícia Federal. Ela é acusada dos crimes de lavagem de dinheiro, contrabando, evasão de divisas e sonegação fiscal e foi conduzida à Superintendência da Polícia Federal na Capital paulista, onde até o fechamento desta edição encontrava-se detida. Chong teve a prisão preventiva decretada e por isso foi transferido ontem do Instituto Penal Agrícola (IPA), onde cumpria pena em regime aberto, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

A operação foi comandada por membros da Polícia Federal de São Paulo, Brasília e Campinas e foi cercada por sigilo absoluto. Prova disso é que nem mesmo os integrantes da unidade bauruense da Polícia Federal tinham detalhes sob a prisão da mulher de Law, como horário e local do ocorrido. “Ao que tudo indica, eles vieram para cá, fizeram a captura e retornaram rapidamente a São Paulo. Em operações desse gênero, é comum a corporação utilizar esses tipos de procedimentos e nem mesmo nós ficamos sabendo”, disse um agente da PF bauruense à reportagem do JC.

Entretanto, o JC apurou que Law foi presa, acompanhada por um filho e um segurança, em um hotel em que estava hospedada com a intenção de visitar o marido no IPA, onde desde 25 de agosto e até ontem cumpria pena de quatro anos por tentar subornar o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP), que presidia a CPI da Pirataria. Anteontem, a juíza federal Silvia Maria Rocha decretou a prisão preventiva de Chong, que foi transferido, ontem à tarde, às 15h, para o CDP de Bauru, onde aguardará novas determinações judiciais.

“Conversei com o Law (ontem), por volta das 14h30, para comunicá-lo sobre a transferência para o CDP. Ele ficou extremamente surpreso com a notícia e disse que não sabia os motivos disso estar ocorrendo. Mas ele ficou chateado mesmo foi com a prisão da esposa, principalmente pelo fato do filho estar junto”, revelou o diretor do IPA, Gilberto de Assis Oliveira, em entrevista à reportagem do JC no início da noite de ontem.

Indignado

O pedido de prisão da esposa de Law teria partido da Polícia Federal e da Promotoria da República. Após ser presa, Law teria se mostrado indignada ao ser abordada pelos policiais. Ela foi levada até a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde chegou pouco antes das 12h. Ela teria chorado durante todo o trajeto até a Capital e, após fazer exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), retornou à sede da PF e já teria tido sua prisão preventiva decretada.

A esposa de Law Kin Chong vinha sendo investigada pela polícia por ser suspeita de continuar os negócios de seu marido. Dono de dois andares da galeria Pagé, em São Paulo, ele é acusado de dominar os shoppings centers populares da região da rua 25 de Março, também em São Paulo, onde aluga pequenas lojas a microcomerciantes chineses que vendem, principalmente, produtos contrabandeados.