08 de julho de 2026
Nacional

PMDB pensa em candidatura própria

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Lideranças governistas e oposicionistas do PMDB avaliaram anteontem que o desempenho do ex-governador paulista Orestes Quércia na pesquisa do Datafolha sobre a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes reforça o discurso de defesa de candidatura própria do partido para a Presidência da República.

Anti-governista confesso, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), disse que o surgimento de Quércia em primeiro lugar no levantamento divulgado anteontem dá “estímulo à tese de um caminho próprio”. “Isso ganha muita força. É algo que eu já vinha sustentando”, disse.

Para Temer, Quércia aparece como primeira opção também por conta do desgaste do PSDB, que até agora não conseguiu um nome viável para a disputa em São Paulo, e do PT, que por enquanto está dividido entre o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. Apesar de ser um dos expoentes da ala governista do PMDB, o líder do partido no Senado, Ney Suassuna (PB), fez uma análise positiva do desempenho de Quércia no Datafolha.

Ele reconheceu ter sido pego de surpresa. “É surpreendente, uma reviravolta mesmo. Fiquei muito feliz porque estamos reconquistando um espaço que havia sido perdido em São Paulo”, disse. Suassuna concordou com Temer na avaliação de que o levantamento dá mais força ao discurso de candidatura própria do partido para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Isso é inexorável. No meu estado (Paraíba) ninguém admite não ter candidatura própria”, disse.

“O que podemos com o PT é uma parceria para o segundo turno”, explicou. Além de reconhecer a força de Quércia em São Paulo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lembrou ainda a presença do PMDB em outros Estados. “Pelo menos em 15 Estados temos condições de vitória”, afirmou. Mesmo sendo um dos peemedebistas mais próximos a Lula, Renan também concorda que a tese de candidatura própria está ganhando mais força.

Porém, ele demonstra mais preferência pela candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, do que pela do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que aparece mais bem colocado nas pesquisas. “Apesar de não ser do quadro do partido, Jobim é uma alternativa”, disse.

Falácia

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), disse anteontem que o resultado da pesquisa Datafolha sobre a disputa ao governo de São Paulo, em 2006, derruba o mito da polarização nacional entre PT e PSDB. Disse que também reforça a tese de que o PMDB deve ter candidato próprio à Presidência da República no ano que vem. Segundo o Datafolha, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) é o favorito nos seis cenários da pesquisa, que ouviu terça e quarta-feira desta semana 1.798 eleitores paulistas.

Três dos cenários confrontam Quércia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o senador Aloizio Mercadante (PT) e a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT). “O resultado significa que o PMDB deve lançar candidato a presidente da República”, afirmou Requião. “Também mostra com clareza que essa nuance de contradição PT-PSDB está exaurida. Que essa suposta polarização (da disputa nacional) entre PT e PSDB é uma falácia.”

Para Requião, o tamanho do eleitorado de São Paulo e o peso político do Estado permitem transportar a análise do resultado para a situação nacional. Mas ele não arrisca apontar um nome capaz de aliar as correntes do seu partido. “Não podemos lançar um candidato a presidente sem antes definir o que fazer”, diz, referindo-se a um plano de governo. “O Brasil espera um Kirchner (Néstor Kirchner, presidente da Argentina)”, disse Requião. Ele faz a vinculação ao dizer que Kirchner conseguiu “reerguer uma Argentina caída”. No caso brasileiro, afirma que a população espera um candidato “com proposta que reacenda a esperança, mas com perspectivas de desenvolvimento claras e concretas”.

O governador do Paraná diz identificar em Quércia o perfil manifestado na pesquisa pelas “posições nacionalistas que ele representa”. Requião já foi adversário interno de Quércia. Acusava-o de corrupto, quando o ex-governador paulista dominava o PMDB nacional. No seu primeiro governo do Paraná, Requião criou o serviço “Dique Quércia” para receber denúncias. Diz que hoje dialoga com Quércia, “como com todos da cúpula do PMDB”.

O governador do Paraná diz que a falta de unidade no partido é superável. “Não é só o PMDB que é complicado. O Brasil é um país complicado, a política é uma coisa complicada.” Ele diz que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva o decepcionou. “Temos um companheiro (no governo)e não temos as mudanças propostas. O Lula é meu amigo, mas o governo dele não é. Quanta frustração.”