As empresas paulistas só ganham do Rio de Janeiro quando se trata de receber incentivos do poder público, entre 13 Estados brasileiros. Mesmo assim, puxam para cima vários índices nacionais relativos ao cotidiano de empresários e trabalhadores: possui, por exemplo, o maior índice de funcionários utilizando computadores (23%) e o maior coeficiente de trabalhadores com curso superior (11%). Mas vários outros indicadores são muito ruins para o Estado mais desenvolvido da Nação: o tempo para inscrição na Junta Comercial, por exemplo, é o segundo pior do País, à frente somente do Amazonas.
Os dados foram divulgados na última semana pelo Banco Mundial, numa pesquisa feita em 2003 sobre o ambiente para investimentos no Brasil. Foram estudados 1.642 estabelecimentos industriais, entre julho e outubro de 2003 - entre eles, 22% eram de São Paulo. Os outros Estados analisados foram Amazonas, na região Norte, Goiás e Mato Grosso, no centro-oeste, Paraíba, Maranhão e Bahia, no Nordeste, Minas Gerais, Espírito Santo e os três Estados do Sul.
A Pesquisa sobre Clima de Investimento (PCI), realizada em vários lugares do mundo, mostra que Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina são os Estados que, segundo os empresários, enfrentam os maiores problemas para fazer negócios, enquanto as maiores facilidades, de acordo com a percepção dos entrevistados, aparecem na Bahia e no Maranhão. Nesse caso, São Paulo surge numa posição intermediária, em 6º lugar entre os que mais reclamam.
No entanto, o relatório conclui, a partir dos vários levantamentos, que o chamado “clima de investimento” é melhor no Sudeste e Sul que em outras regiões. O Banco Mundial reconhece ainda “importantes iniciativas” feitas em alguns Estados do Nordeste.
Pouca confiança
São Paulo só perde do Rio de Janeiro na desconfiança em relação ao governo: 79% dos cariocas e 77% dos paulistas consideram o governo ineficiente ou muito ineficiente na prestação de serviços. Esse índice, conforme o Banco Mundial, chega a 46% no Amazonas e 53% no Paraná e Santa Catarina.
O incentivo governamental, seja ele federal, estadual ou municipal, atinge entre 10% e 20% das empresas em quase todos os Estados do País. As exceções são o Amazonas, para cima, por conta da Zona Franca (quase a metade dos estabelecimentos), e São Paulo e Rio, este o último colocado, ambos com menos de 10% empresas com incentivo.
Os empresários paulistas informam que a mão-de-obra dos altos escalões passa 7,6% de seu tempo lidando com questões legais. O Estado é o quarto melhor nesse quesito, onde há enorme distância entre os paraibanos, com somente 2,4% das horas de trabalho gastas nesse “tempo dos impostos”, e o Amazonas, com 10,3%.
A pesquisa informa que os amazonenses levam 50 dias para se inscrever na Junta Comercial; os paulistas gastam 44 dias, na segunda pior colocação. Quem se sai melhor nesse quesito são novamente os paraibanos, com 10 dias, e cearenses, com 12 dias.
A situação paulista também não é nada exemplar na hora da instalação da linha telefônica, eletricidade ou água. Um dos piores casos é o da ligação elétrica, informa o Banco Mundial: as empresas paulistas esperam em média 31 dias para obter o serviço, junto com o Rio de Janeiro e à frente somente do Rio Grande do Sul (36 dias) e Minas Gerais (44 dias). Novamente os nordestinos lideram o ranking, com Paraíba (8 dias) e Maranhão (11 dias).
No caso do serviço de água, gaúchos e mineiros continuam imbatíveis na demora (25 e 31 dias), os cariocas agilizam-se e os paulistas ganham a companhia dos baianos no atraso, com 17 dias na média de espera - quando no Mato Grosso os empresários aguardam somente um dia. A situação só melhora, mas nem tanto, no tempo para conexão telefônica: São Paulo aparece no meio termo, com 13 dias de espera. Os catarinenses amargam 31 dias sem telefone, e, novamente, os paraibanos ficam à frente, com 6 dias.
Educação
As empresas paulistas analisadas são as que mais empregam trabalhadores com nível superior: eles compõem 11% da mão-de-obra no Estado, à frente do Rio Grande do Sul, com 10%. No Ceará e Maranhão, esse índice despenca para 4%. Em contrapartida, as indústrias no Amazonas empregam mais gente com escolaridade média, exatamente metade; São Paulo fica em segundo lugar com 35% de trabalhadores com ensino médio completo.
Um dos melhores índices paulistas aparece na quantidade de trabalhadores que utilizam computadores regularmente: eles são 23%. Curiosidade: baianos e amazonenses aparecem à frente do largamente alfabetizado Rio Grande do Sul, com 19% contra 18%. Os demais nordestinos surgem nos últimos lugares, com 10% ou 11%.
Exportação
Os problemas com logística são mais comuns nas empresas exportadoras do Ceará, Mato Grosso e Goiás, que perdem entre 1,6% e 1,8% dos valores transportados. Mas São Paulo aparece num incômodo 5º lugar entre os que têm mais perdas com roubos ou danos nos produtos, junto com Minas Gerais e Rio Grande do Sul: ao todo, 1% dos produtos são danificados ou furtados no Estado. E quem tem a melhor porcentagem nesse caso? Novamente a Paraíba, com 0,4%.
Os produtos paulistas de exportação levam em média 8 dias, e no máximo 17 dias, para chegar ao destino final, o consumidor. O Estado aparece nesse caso em posição intermediária. Quem se sai melhor é o Ceará, com média de 4 dias. O pior é o Mato Grosso, com média de 25 dias.