08 de julho de 2026
Nacional

Absolvição de Brant é tida como certa

Por Rose Ane Silveira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Após a rejeição em plenário do pedido de cassação do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), é dada como praticamente certa, entre alguns integrantes do Conselho de Ética a absolvição do deputado Roberto Brant (PFL-MG).

O relator do caso, Nelson Trad (PMDB-MS), foi quem fez a defesa, em plenário, da cassação de Queiroz. Trad se diz indignado com o resultado da votação em plenário, que segundo ele desmoralizou os trabalhos do conselho.

O relator não quis antecipar como será seu voto sobre o caso de Roberto Brant, mas adiantou que alguns pontos do depoimento do deputado mineiro, como a apresentação das notas fiscal que comprovam o uso dos recursos do valerioduto, foram ambíguas e precisam ser esclarecida.

Nos corredores do Congresso, circula a tese de que os deputado acusados de terem praticado caixa dois de campanha sairão livres, se não no Conselho, no plenário da Casa. Foi justamente a acusação que levou à abertura de processo contra Queiroz e também contra Brant. “O resultado do processo contra Queiroz foi uma sinalização preocupante. Eu soube que os outros acusados de caixa dois comemoraram o resultado do processo contra Queiroz. Está se criando, como eu já disse, um Valérioinduto na Câmara”, avaliou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

A acusação Brant recebeu dinheiro da SMPB para a sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004 e alega que os recursos foram originalmente uma doação da Usiminas, que apenas utilizou a empresa do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza para fazer o repasse do dinheiro. Brant pediu pressa ao conselho para votar seu caso e não apresentou nenhuma testemunha de defesa.

Entre os deputados apontados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão como tendo envolvimento no chamado “valerioduto”, Brant era considerado com o de maior chance de ser absolvido. No total o deputado pefelista recebeu R$ 102 mil das contas de Marcos Valério. Segundo Brant, o dinheiro recebido não foi usado na campanha. Sem esperanças de vencer, ele disse que preferiu usar a quantia para pagar um programa do PFL mineiro veiculado antes da campanha eleitoral. Brant apresentou em sua defesa um recibo da empresa PMP, de Curitiba (PR), que, segundo ele, fez o programa do partido.

Somente após o surgimento do caso do mensalão o deputado buscou as notas fiscais sobre este trabalho feito para o PFL. Agenda Na próxima semana, o Conselho de Ética fará uma única reunião administrativa. O encontro deverá servir para que o presidente do conselho converse com os relatores dos processos em andamento e verifique quais poderão ser colocados em votação ainda no período da convocação.

A expectativa do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do Conselho, é de que no máximo oito processos sejam concluídos até o dia 15 de fevereiro, data do início dos trabalhos normais do Legislativo. “Temos quatro processos que estão exatamente no mesmo estágio. Outros mais atrasados e outros mais adiantados. Só depois da reunião com os relatores poderei saber quais serão votados primeiro”, disse Izar.