17 de junho de 2026
Cultura

Emmerson Nogueira canta Minas Gerais

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O músico Emmerson Nogueira se consagrou, dois anos atrás, cantando hits do pop rock internacional que já haviam passado pela programação das rádios há pelo menos 15 anos. Em seu sucesso, batizou até mesmo um prêmio - o irônico Troféu Emmerson Nogueira, dado por Marcos Mion no hilário programa “Covernation”, da MTV. Agora, ele defende-se, em português e sotaque mineiro, no CD “Miltons Minas e Mais”, lançado pela Sony & BMG.

O disco, que tem a mesma proposta acústica de seus outros projetos, conta com 12 faixas essencialmente dos integrantes e parceiros do Clube da Esquina - Milton Nascimento, Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Beto Guedes e Flávio Venturini, entre outros. “Minha história é de música mineira, isso era minha música nacional. Comecei a ouvir rock com esses artistas, influenciados pelo rock progressivo. Agora, é uma homenagem que faço a eles”, explica Nogueira, em entrevista ao JC Cultura.

Ele destaca que a seleção final do disco surgiu de um repertório de mais de 50 canções. “Fomos para o estúdio e começamos a tocar. O que foi ficando mais confortável no nosso som é o que ficou. Como temos pouco tempo de estúdio, as músicas que se destacam que são escolhidas para o disco”, comenta o músico. Ele revela ainda que “Miltons Minas e Mais” deve integrar sua próxima turnê, também com os sucessos internacionais já gravados, a partir do próximo ano.

Apesar de seguir o esquema violão-baixo acústico-percussão, as músicas ganharam alguns toques mais elétricos, com a inclusão de guitarras, órgão Hammond e outros elementos. “Tivemos a vantagem técnica de gravar em um dos melhores estúdios do País. Quis dar uma cara de rock à música mineira, que é mais calma”, diz.

Tais fugas do formato acústico podem ser sentidas em “Maria Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant) - que inclui o Hammond na medida certa -, “Maria Solidária” (Milton e Brant) e “Raça” (também dos dois compositores). Já “Um Girassol da Cor do seu Cabelo” (Lô Borges e Márcio Borges), “Anima” (Zé Renato e Milton), “Lumiar” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) mantêm o som do violão em primeiro plano e até conseguem destacar-se. “Natural”, também na segunda lista, conta ainda com a participação de Cláudio Venturini nos vocais.

O problema dos discos de Nogueira é a pouca inventividade nos arranjos e a audácia de regravar clássicos que mantêm-se atuais, vivos e inovadores até os dias de hoje. Um exemplo é “Fé Cega, Faca Amolada” (Milton e Bastos), eternizada por Elis Regina e que já ganhou uma versão eletrônica com Lulu Santos e outra arrasadora, ao vivo, nos shows da turnê “Vagabundo”, com Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede. Nem vale a pena citar seu lançamento anterior, no qual ele apresenta sua interpretação para canções dos Beatles.

Nas palavras do músico, sua aposta é de relembrar boas músicas para uma geração que ainda não as conhece. “Ninguém está fazendo mais som autoral, todo mundo tem um cover bacana (em seu disco). É legal gravar versões porque você está resgatando”, afirma Nogueira. Às vezes, é mais legal emprestar os discos do irmão mais velho e conhecer as músicas em todo o seu colorido, ao invés de ouvi-las apenas em tons pastéis.