10 de julho de 2026
Esportes

Automobilismo: McLaren anuncia Alonso para 2007

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - O anúncio de que o espanhol Fernando Alonso correrá pela McLaren em 2007 pegou ontem a F-1 de surpresa. Nem tanto por seu conteúdo, mas sim pela antecedência com que foi feito. Passado o susto, começou então a tentativa de montar o quebra-cabeças que a categoria virou até a definição das vagas para a temporada, que deve ser uma das mais agitadas dos últimos tempos.

Um dos mais fortes motivos para o campeão mundial ter deixado a Renault é a possibilidade de ela fechar as portas após 2007 - signatária do Pacto de Concórdia, ela tem de ficar até esta data.

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente da montadora, já deixou claro que não está convencido do retorno gerado pela F-1. Ghosn deve implantar, no início do ano, um plano de três anos para colocar as contas da Renault em dia.

Outro motivo para a transferência para a McLaren é o fato de muitos já darem como certa a ida do primeiro piloto do time, Kimi Raikkonen, para a Ferrari em 2007, possivelmente para a vaga de Michael Schumacher, que tem contrato até o final de 2006.

“Ainda estamos conversando com Kimi e Juan Pablo [Montoya] sobre 2007”, afirmou ontem Ron Dennis, chefe da McLaren, que disse ainda que o anúncio da chegada de Alonso só foi feito com tanta antecedência para que os três pilotos - ele, Raikkonen e Montoya - possam se concentrar no campeonato de 2006.

Sem ter que se preocupar com a procura por uma vaga para 2007 - o acordo com a McLaren vai até o final de 2009 -, o mais jovem campeão da história da F-1 diz que vai lutar pelo bicampeonato com a Renault.

“Estou feliz por ter resolvido isso agora, pois vai permitir que eu e meu time atual nos concentremos 100%”, disse Alonso. “Estou triste de deixar a Renault, mas às vezes as chances aparecem e são boas demais para deixarmos escapar.”

Outros campeões

Para a Renault, o investimento de fazer de seus pilotos campeões mundiais não tem dado retorno. Pelo menos a longo prazo. Dos seis competidores que ganharam o Mundial de Pilotos empurrados com os motores franceses, apenas um permaneceu “fiel” à Renault após o título. Foi o canadense Jacques Villeneuve, em 1997.

Todos os outros seguiram a mesma trajetória que Fernando Alonso irá cumprir. Campeão com os franceses, guiará um carro impulsionado pelos motores da alemã Mercedes.

O primeiro a trilhar esse caminho foi o inglês Nigel Mansell, vencedor em 92, que deixou a F-1 para competir na Indy. No ano seguinte, foi a vez de Alain Prost fazer o mesmo, mas com destino diferente. Campeão em 93, aposentou-se. Dois anos depois, a Renault viu a história se repetir, tendo como protagonista o jovem Michael Schumacher, que trocou os motores franceses pelos italianos da Ferrari.

O mesmo aconteceu no ano seguinte. O inglês Damon Hill deixou propulsores da Renault pelos da Yamaha, na Arrows. “Mas, desta vez, Fernando ainda tem uma temporada conosco”, ressaltou Patrick Faure, presidente da Renault Sport.