Não sou são-paulina, mas até mesmo por questões patrióticas, no domingo levantei cedo e me preparei para assistir à final do Campeonato Mundial de Futebol. Fiz o café mais cedo, para não ter que fazer nada durante o jogo. Os ingleses eram os francos favoritos, estavam há 11 jogos sem perder, sem levar gols, e alguns davam entrevistas se dizendo imbatíveis, os melhores, e tal.
Entraram em campo como os maiorais, os melhores, os temíveis, que teriam como fraco adversário um time de terceiro mundo, composto de jogadores de segunda classe (segundo a imprensa, inclusive a nossa, os bons do Brasil jogam fora).
Realmente eram gigantes, homens imensos, alguns com mais de 2 metros, fortes, bem nutridos, sacudidos mesmo. Mas tombaram. Perderam a invencibilidade, perderam o campeonato e tiveram que colocar na bagagem, ao lado da arrogância, o sabor amargo da derrota.
O Brasil detém atualmente os títulos da Copa das Confederações, Copa do Mundo, Copa América. Quando ganhamos a Copa das Confederações, tivemos que ler declarações de técnicos do primeiro mundo que “os índios vem aqui e nos levam tudo”.
Temos assistido às demonstrações racistas nos estádios do mundo e, para nossa alegria, um negro brasileiro (Ronaldinho) ganha pela segunda vez o título de melhor jogador do mundo. Em 15 anos da criação deste prêmio, é a sétima vez que o eleito é brasileiro.
Pode parecer uma alegria boba, já que temos tantos problemas em um dos países mais miserável do mundo. Falta comida, falta educação, falta emprego, falta saúde, falta quase tudo, mas sobra alegria, garra, coragem e uma capacidade inesgotável de não se render, de tentar de novo, de recomeçar o jogo. Dá para sentir a alma lavada.
Tatiana Calmon