09 de julho de 2026
Nacional

Alckmin e Serra disputam apoio de FHC em 2006

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo, José Serra, exaltaram ontem ícones do partido e elogiaram a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em mais um lance da disputa pela preferência do PSDB. Ao discursar na inauguração da nova sede municipal do PSDB, Alckmin disse que “O Brasil é outro depois do governo FHC” e citou seis vezes o nome do governador Mario Covas, que morreu em 2001. Alckmin - que foi ao evento dirigindo sua Parati - concluiu seu discurso afirmando que o país precisa crescer para completar “um outro ciclo que se iniciou com o governo FHC”.

Ao citar Covas e o ex-governador Franco Montoro como modelos, Serra lembrou Sérgio Motta, que morreu em 1998, quando era ministro das Comunicações de FHC. “(Ele) fez um processo de privatização das teles limpo, que serviu aos interesses do país e do setor, uma área super-espinhosa. Imagine o que teria acontecido com as teles se as empresas de telecomunicações fossem estatais, não tivessem sido privatizadas”, discursou Serra, acrescentando: “A gente tem memória para apresentar”.

No PSDB, há consenso de que FHC será fundamental para a escolha do candidato do partido. A família de Covas teria ascendência sobre o presidente nacional do partido, Tasso Jereissati (CE). Os filhos de Covas e Montoro foram homenageados na solenidade. Alckmin descreveu sua gestão como “uma nova fase do governador Mário Covas”.

No auditório, Serra e Alckmin trocaram elogios. Os dois comemoraram o resultado da pesquisa Datafolha sobre a avaliação de seus mandatos. Serra, porém, recomendou que o partido acompanhe mais as ações na prefeitura para converter essa boa avaliação em capital político. “Crescemos na população de até cinco mínimos. O crescimento foi aí. Esse crescimento tem que se dar na política também.”

Serra disse que essa investida “não significa usar a máquina”. “Não sabemos usar a máquina... Não queremos mudar essa nossa tradição de sermos incompetentes para usar a máquina. Mas é fundamental que a gente aprenda ter trabalho político na cidade”, propôs.

Serra também contou ter chamado os subprefeitos das regiões mais desenvolvidas para analisar outro dado da pesquisa: “(Entre eleitores com renda familiar) acima de dez mínimos perdemos posição relativa. Por isso não vamos só comemorar não.” Alckmin e Serra pregaram a unidade e fizeram críticas ao governo Lula.

Recebido ao som de “queremos o Geraldo presidente do Brasil”, Alckmin sugeriu que o PSDB preserve “laços de solidariedade, de companheirismo, de lealdade”. Num recado para os que apostam num anti-Lula, disse que o partido estará numa jornada “não contra o PT ou contra Lula”, mas para impedir que o governo ande como caranguejo.

Serra também fez críticas ao PT: “Ética, para muitos no brasil, virou uma arma da conveniência. É ético quando está na oposição. Quando está no governo pode pedir licença para deixar de ser ético durante um tempo”. Na saída, os dois minimizaram a liderança de Orestes Quércia para a corrida ao Palácio dos Bandeirantes.

Alckmin, porém, admitiu que é preciso “humildade de verificar que nós vivemos num quadro que não é apenas bipartidário”, e Serra reconheceu que “é indiscutível” o peso de Quércia na eleição.