10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda a Escola Estadual “Rodrigues de Abreu”


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Considerando a carta nesta coluna (15/12, pág. 32), sob o título “Seja bem-vinda ETE Centro Paula Souza”, de autoria de Rosemeire Egnes Leite, para esclarecimentos e dirimir dúvidas, volto ao assunto, pela última vez.

Sou contra a desativação da EE Rodrigues de Abreu, para abrigar no prédio uma escola técnica do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Porém, não sou contra a instalação em Bauru da escola técnica. Em sã consciência ninguém pode ser contra a criação e instalação de escola de qualquer área de atividade.

Em 1993, o governador do Estado extinguiu os 54 Centros de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefams), inclusive o de Bauru. A escola técnica deveria ser instalada no prédio do extinto Cefam. Prédio que foi construído pelo Estado, em Bauru, no início da década de 1960, para ser instalada uma escola técnica estadual, igual a que Jaú possui desde aquela época. As escolas técnicas estaduais, agrícolas e industriais, naquele tempo, eram subordinadas à Coordenadoria do Ensino Técnico da Secretaria de Estado da Educação.

No final de 1991, o governador do Estado, na época, Luiz Antonio Fleury Filho, reformulou o ensino técnico e transferiu as 35 escolas agrícolas e as 45 industriais da Secretaria da Educação para a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (SCTDE).

Agora o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, subordinado à SCTDE, se aboleta na EE Rodrigues de Abreu, remaneja professores, funcionários e alunos, pertencentes à Secretaria da Educação e instala no prédio uma escola técnica. E não se pode protestar?! Ainda, a missivista referindo-se à tradição da Escola Rodrigues de Abreu, ressalta: “O Centro Paula Souza não mudou o nome do prédio, algo que poderia fazer e não fez”.

Além de invadir o prédio de modo intempestivo, causando traumas que poderiam ser evitados se fosse utilizado o prédio do extinto Cefam, apresenta-se como ato de benevolência a atitude do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, deixar permanecer o nome de Rodrigues de Abreu, como patrono. Inacreditável! Só faltava mais esta! Retirar o nome de Rodrigues de Abreu como patrono da escola é uma afronta à memória do poeta ilustre, total menosprezo aos bauruenses que cultuam o seu poeta maior e inesquecível.

Por outro lado, agradecer o deputado estadual Pedro Tobias pela conquista em trazer para Bauru uma escola técnica, em benefício da clientela escolar carente de recursos financeiros, no sentido de adquirir uma formação técnica profissional, entendo uma atitude política positiva. Aproveito para sugerir e mesmo solicitar, com empenho, do prezado e ilustre parlamentar, no sentido de apresentar um projeto de lei na Assembléia Legislativa, propondo a criação de um Instituto Estadual de Educação Superior para Bauru, conforme dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Onde instalar o IEES? No prédio da atual Escola Estadual “Ernesto Monte”, que voltaria a ser instituto, conforme já foi na época de ouro da educação pública. No novo instituto seria instalado o curso normal superior em substituição ao Cefam que foi extinto. Uma nova conquista na área de formação profissional estadual, para a clientela adolescente interessada no exercício do magistério para atuar na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual