Brasília - O PT fará hoje um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se declare já candidato à reeleição, argumentando que é preciso começar desde logo a reação à subida do PSDB nas pesquisas. A nova Executiva do partido, eleita em outubro, se reúne com Lula para tratar da estratégia eleitoral para o ano que vem.
A conversa acontece à noite, na Granja do Torto. Devem participar ministros petistas, como Jaques Wagner (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). A presença de Antônio Palocci (Fazenda) não está confirmada. “O presidente tem todo o direito de querer mais tempo para se definir, mas vamos dizer que sua reeleição é fundamental para o projeto do partido e que não temos plano B”, disse a deputada federal Maria do Rosário (RS), 2.ª vice-presidente nacional do PT. “Vamos ouvir o que ele tem a dizer, mas também vamos colocar de forma clara nossas opiniões”, declara.
Em artigo publicado ontem na página do PT na internet, o presidente da legenda, Ricardo Berzoini, vai na mesma linha. Diz que a principal tarefa do partido agora “é trabalhar para que o primeiro governo de esquerda da história do Brasil conquiste mais quatro anos”. No encontro de hoje o partido também pedirá ao presidente “inflexões” na política macroeconômica, em linha com a controversa resolução do diretório nacional de duas semanas atrás, que pede a queda acentuada dos juros, ontem em 18% ao ano, e rejeita o aumento do superávit primário, ontem em 4,25% do Produto Interno Bruto.
Os petistas prometem bater nessa tecla mesmo se estiverem cara a cara com Palocci. Lapso Lula já chegou a se declarar candidato, em uma recente entrevista a rádios, mas depois voltou atrás e disse que cometera um “lapso”. No PT, a vacilação do presidente em se lançar de uma vez por todas é vista como uma estratégia de um presidente que “obviamente” disputará a reeleição. Mas não deixa de causar desconforto. “Nós vamos expor ao presidente nossa visão do quadro político, a maneira como procuraremos nos engajar na campanha e perguntar o que se passa na cabeça dele sobre disputar a reeleição”, afirmou o secretário de Comunicação do partido, Humberto Costa, ex-ministro da Saúde. “A gestão da crise está passando. A hora é começar a planejar 2006 e imediatamente mudar o foco para a defesa do governo, das políticas sociais e da política econômica”, diz Jilmar Tatto, 3º vice-presidente do PT.