O direito perdeu ontem um de seus maiores admiradores e discípulos. Com problemas respiratórios, o juiz aposentado Gastão de Moura Maia Filho, 85 anos, morreu ontem à tarde no Hospital Beneficência Portuguesa, em Bauru. Deixará como herança não só o deleite pelas questões jurídicas, como a luta pela democracia.
Anos antes de começar a lecionar na Instituição Toledo de Ensino (ITE) e de tornar-se titular da Secretaria de Negócios Jurídicos na primeira gestão do prefeito Tuga Angerami, ele já havia enfrentado resistências junto ao Tribunal de Justiça (TJ) por discordar da suspensão de habeas corpus durante os anos de chumbo.
Segundo a família, ele também foi guerreiro em favor do divórcio, décadas depois de ter sido pracinha na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. “Ele dizia que o direito é a única criação somente do homem. Diferente da medicina, por exemplo, que depende da natureza”, conta a filha, Maria Helena Mendonça Moura Maia.
Tanta paixão lhe rendeu noites a fio debruçado sobre livros e processos. Mas a dedicação foi reconhecida. Foi o primeiro a receber a honra de ser professor emérito da ITE. “Inúmeras gerações passaram por ele. Ele era um professor que os bons alunos gostavam e os maus, o temiam”, conta Maria Helena. O pai dela começou a lecionar em 1963 e só parou em 1985.
Iniciou seus ensinamentos em Bauru, que elegeu para morar com a família. No entanto era juíz em Agudos, comarca onde foi trabalhar após passar por várias outras e deixar a Capital paulista, onde nasceu. Deu aulas de direito administrativo, civil e introdução ao estudo de direito.
“Ele gostava da política da cidade, do País, mas não da partidária. Era uma cabeça brilhante, muito justo. Era um grande pai. Várias pessoas o procuravam para pedir conselhos e ele sempre tinha uma palavra humana”, acrescenta Maria Helena.
De acordo com ela, ele já é a quinta geração de advogados da família, ofício seguido por outros dois filhos e um neto, atual bacharel em direito. Maia deixa a esposa, sete filhos, netos e bisnetos. Em respeito à vontade de Maia Filho, não haverá velório. O enterro será hoje, às 8h, no Cemitério Jardim do Ypê (horário ainda não confirmado até o fechamento desta edição).
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Suas palavras
“Sem as forças do direito, mesmo que os homens vençam as forças da natureza, nenhuma possibilidade de entendimento harmonioso existirá entre eles, vencidos ante si próprios sem terem o que lhes resguarde a essência espiritual: sem segurança, sem paz, sem justiça. Serão talvez, senhores da ciência, mas escravos da vida por eles geometrizada” . (Palavra de Gastão de Moura Maia Filho - em 5-12-1973)