11 de julho de 2026
Polícia

Mulher relata que também sofreu agressão sexual por parte do marido

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A mãe do adolescente que matou o pai depende de medicamentos para enfrentar a depressão. Na noite da tragédia, o marido dela, porém, tomou de suas mãos um deles (indicado para relaxar) com o intuito de evitar que ela o consumisse e, assim, fosse prejudicada. Também queria provar a ela que o remédio era inofensivo para ele, embora tivesse consumido antes pinga, conhaque e cerveja.

Essa é só mais uma das inúmeras provocações sofridas pela mulher que em 18 anos de união também sofreu agressão sexual. No segundo ano de convivência começou a apanhar. Da primeira vez, estava com o filho (hoje com 16 anos), no colo. Antes disso, no primeiro ano, ele levou outra mulher para dentro de casa.

“Separamos, fiquei uma semana fora e voltamos. Ele falou que tudo seria diferente, que ia mudar. Depois engravidei. Eu achava que poderia mudá-lo. Se ele ficasse um dia sem beber, já achava que tinha parado. Mas depois eu vi que quem estava mudando era eu. Estava ficando cada vez mais submissa”, conta aos 37 anos. Ao todo, foram três separações.

“Eu queria trabalhar, estudar, ele não deixava. Só tive um emprego registrado, mas ele ia lá várias vezes (ao dia). Isso quando eu não chegava com a cara rocha. Que patrão vai querer isso? Eu era demitida. Depois, fiz uns bicos de faxineira, passa roupa. Aí ele não ligava. Ele não queria que eu progredisse, queria que eu sempre dependesse dele”, relembra ao apontar uma cicatriz no dedo provocada por uma facada.

Ela conta ainda que em março de 99 ele tentou matá-la afogada no tanque de casa. Só não conseguiu porque os vizinhos ouviram seus gritos e impediram. Ela registrou dois boletins de ocorrência contra o marido. “Na terceira vez nem cheguei a fazer porque ele bateu em mim na frente da polícia. Ninguém fez nada. Ele falava que da próxima vez me matava na frente deles”, conta.

A sessão violência não parava por aí. Segundo ela, o marido que bebia descompensadamente também obrigava os filhos a consumirem bebida alcoólica para que dormissem e não presenciassem as posteriores agressões sexuais contra a mãe.