10 de julho de 2026
Regional

Pensão baixa foi o motivo de desfalque

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Duartina - O desvio de recursos do caixa da Santa Casa de Misericórdia de Duartina (38 quilômetros de Bauru) foi menor do que o divulgado pelo hospital. A afirmação foi feita pelo advogado de defesa da funcionária Ana Cristina Cardoso Bettencourt, Adriano Varavallo. Segundo ele, Ana Cristina usou o dinheiro para ajudar nas despesas com a faculdade da filha, uma vez que a pensão que ela recebia era muito baixa.

Ana Cristina confessou ter se apropriado do dinheiro e já manifestou interesse em devolver os valores desviados. No entanto, ela alega que o desfalque não foi de R$ 100 mil, mas, no máximo, a metade disso.

Depois que a fraude foi descoberta, a funcionária foi até o cartório e transferiu para a Santa Casa um veículo avaliado em R$ 15 mil, aproximadamente. De acordo com o advogado, isso demonstra a disposição de Ana Cristina em reparar o prejuízo causado ao hospital.

Varavallo revelou que os desvios tiveram início no fim de 2003, em um período que sua cliente passava por dificuldades financeiras. Com a filha na faculdade, Ana Cristina alega que não conseguia cobrir as despesas apenas com o salário que recebia do hospital e com o meio salário mínimo (R$ 150,00) pago pelo pai da menina a título de pensão.

“É lógico que isso não justifica (o desvio), e ela sabe disso, mas foi isso que a levou a tomar essa atitude”, explica o advogado.

Em junho, Ana Cristina conseguiu na Justiça uma revisão da pensão e passou a receber cinco salários e meio. Foi a partir daí, segundo o advogado, que ela interrompeu os seguidos desfalques de caixa do hospital.

Fontes

Ana Cristina desviou valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) dos funcionários da Santa Casa e também parte dos repasses que deveria ter sido feita a um plano de saúde que tem convênio com o hospital.

Segundo explicou Varavallo, os segurados pagavam as parcelas do plano de saúde para o hospital e o dinheiro era repassado posteriormente para a seguradora. Pelo acordo entre a empresa e a Santa Casa, o hospital tem de repassar R$ 36 mil todo dia 16 de cada mês. Caso algum segurado deixe de pagar a mensalidade, a Santa Casa tem de cobrir o prejuízo.

Do fim de 2003 até o início deste mês, quando a fraude foi descoberta, Ana Cristina agiu sozinha, segundo o advogado, e não levantou suspeitas. Em entrevista ao JC há duas semanas, o procurador jurídico da Santa Casa, Afonso Felix Gimenez, disse que a funcionária era de “extrema confiança do hospital”.

Futuro

Varavallo comentou que Ana Cristina tem consciência que será demitida da Santa Casa, mas acredita que conseguirá novo emprego e terá condições de devolver o dinheiro que foi desviado.

Se for comprovado que o desvio foi de no máximo R$ 50 mil, ela acredita que levará cerca de um ano e meio para devolver esse valor, já descontado os R$ 15 mil que vale o carro já transferido para o hospital.

“Foi um ato realmente impensado. Ela visou mais o benefício da filha e da família do que do hospital. Mas hoje ela sabe que estava equivocada”, diz o advogado Adriano Varavallo.

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Sindicância

A fraude foi descoberta depois que servidores da Santa Casa de Duartina receberam extratos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e notaram que vários depósitos haviam deixado de ser feitos.

O desvio foi notado no início deste mês. Ana Cristina Cardoso Bettencourt trabalha na Santa Casa há oito anos. Desde 1992, ela vinha exercendo o cargo de contadora. O hospital instaurou uma sindicância interna para apurar o fato. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.

Ana Cristina foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações.