09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Doar sangue: momento de plena comunhão com o próximo


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Acabei de doar sangue pela terceira vez neste ano e pretendo continuar doando regularmente, por muitos anos. Com muito orgulho, sou um doador! Há algum tempo, não dava a devida importância ao ato de doar sangue, porém, desde junho deste ano valorizo esse ato, e considero que todo ser humano, com condições físicas adequadas, deve ser um doador. Doar sangue é, antes de tudo, um ato de humanismo e de amor ao próximo, pois é o momento de plena comunhão, em que uma pessoa chega ao ponto máximo de receber de outra, conhecida ou não, o líquido produzido pela medula, que tem a finalidade de conter vida. A vida que, primeiramente, corre nas veias de uma pessoa, logo correrá nas veias de outra, misturando-se, numa integração geradora de saúde. É, por isso mesmo, um ato de cidadania.

Quando fui doar sangue pela primeira vez, no Hemonúcleo do Hospital de Base, algumas coisas me chamaram a atenção. Achei que fosse ser demorado, que ficaria horas aguardando numa fila interminável e que sentiria uma dor terrível, já que nunca gostei de injeções. Para minha surpresa, o atendimento foi rápido, havia poucas pessoas, e quase não senti dor. Enquanto esperava para entrar na sala em que seria retirado meio litro de meu sangue, olhava fixamente para um galão transparente de suco, que continha líquido vermelho, um tanto quanto viscoso, parecendo ser sangue. Não me contive e perguntei a uma das funcionárias o que era. “É groselha”, ela respondeu, sorrindo, como se pudesse ler meu pensamento naquele instante, e acrescentou: “Tem muita glicose”.

Não me convenci totalmente e continuei achando que havia sangue no galão de suco. Era a apreensão, já que teria que encarar uma agulha dali a pouco. Depois que tudo terminou, me senti bem. A sensação era de ter dormido algumas horas e acordado bem disposto. Então, passei a prestar atenção aos cartazes espalhados por várias paredes do local: “Doar sangue é doar vida”. Tive consciência que havia realizado mais que uma doação; logo, viria compartilhar uma parte de minha “vida” com quem necessitasse de “vida”. Não tinha essa consciência quando fui ao Hemonúcleo do Hospital de Base, numa manhã de segunda-feira.

Dali a alguns dias, minha noiva, Claudia, iria passar por uma cirurgia renal, no Hospital de Base, e soube que doadores de sangue podiam realizar mais de duas visitas de 15 minutos por dia. Queria vê-la fora dos horários habituais e a doação de sangue fora um pretexto para isso. Deu certo. Hoje, a Claudia está ótima, e, se Deus quiser, nunca mais realizará outra cirurgia como aquela. Mas, mesmo assim, continuarei doando sangue, por quantas vezes puder. Doe sangue e chegue ao momento de plena comunhão com o próximo.

Elson Teixeira Cardoso - escritor