Rio de Janeiro - Preso na segunda-feira, Cristiano Dutra de Medeiros, 25 anos, é acusado de ter espalhado gasolina dentro do ônibus da linha 350 incendiado a mando de traficantes de drogas no dia 29 de novembro, na zona norte do Rio. Cinco pessoas morreram. O delegado Marcus Neves, da 38ª Delegacia de Polícia (DP), disse que Medeiros, que é foragido da Justiça de São Paulo, confessou ter participado da ação.
O acusado teria sofrido queimaduras durante a ação. Ficou duas semanas no Hospital Geral de Bonsucesso, recuperando-se. Recebeu alta na sexta-feira passada. A suposta confissão do acusado terá de ser repetida na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), para onde o inquérito foi transferido.
Ontem, a inspetora Marina Maggessi disse que a participação de Medeiros na matança ainda terá de ser esclarecida. Aos policiais da 38ª DP (Brás de Pina, zona norte), Medeiros disse que recebeu do traficante Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, chefe do tráfico no morro da Fé e na Vila Piquiri, um galão cheio de gasolina. Segundo ele, um ônibus teria de ser queimado em protesto contra a morte de criminosos da quadrilha por policiais militares.
Além de apresentar sua versão para a ação que resultou no incêndio do ônibus e na morte dos passageiros, Medeiros apontou mais quatro pessoas que teriam participado da matança. Os acusados - Roberto Maia, o Beto, Ana Paula de Souza Custódio, Marcelo Barreto de Souza e Pedro Nunes Marinho, o Russo - foram presos anteontem por policiais da 38ª DP. Ontem, a DRE os liberou, sob a alegação de que foram apenas testemunhas.
A Polícia Civil chegou a Medeiros a partir de informações passadas por pessoas que estiveram recentemente no Hospital Geral de Bonsucesso. Durante os 15 dias em que permaneceu hospitalizado, Medeiros teria comentado com visitantes que esteve envolvido na ação criminosa. Depois que ele deixou o hospital, a polícia foi avisada da suspeita.
Segundo policiais, ele chorou ao lembrar a noite em que o ônibus foi queimado. Disse que fracassou na tentativa de salvar Vitória Barbosa, 1 ano, que morreu queimada nos braços da mãe, Wania Barbosa.
O preso disse ter se queimado porque, assim que jogou a gasolina no ônibus, Russo provocou o incêndio, com um isqueiro. Medeiros afirmou não ter tido tempo para escapar das labaredas. Russo negou a acusação na DRE. Disse que foi ao local onde o ônibus seria queimado a mando de traficantes.
O levantamento da Polícia Civil revelou que Medeiros tem expedidos cinco mandados de prisão: dois por assalto a mão armada, dois por estelionato e um por furto. Dos envolvidos na matança, Lorde continua foragido. Uma menina de 13 anos e Sabrina Mendes, a Brena, 21 anos, namorada de Lorde, foram presas. Quatro supostos incendiários foram mortos no dia seguinte por traficantes.