Rio de Janeiro - Uma tradução incompleta de um projeto de pesquisa permitiu que pessoas fossem usadas em experimentos de uma pesquisa sobre malária no Amapá, em junho de 2003. Doze moradores de São Raimundo do Pirativa foram submetidos a picadas de mosquitos transmissores da doença nos primeiros dias da pesquisa, procedimento ilegal no País.
A pesquisa “Heterogeneidade de Vetores e Malária no Brasil” foi financiada em US$ 1 milhão pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e tem a parceria da Fiocruz, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade da Flórida. A pesquisadora Mércia Arruda, da Fiocruz, afirmou ontem que o holandês Jaco Voorham, na época professor-adjunto visitante da USP, suprimiu da tradução do projeto do inglês para o português, a frase que dizia que mosquitos “serão alimentados com sangue dos voluntários”.
No entanto, no termo de compromisso assinado pelos voluntários, também traduzido por ele, estava escrito que o participante “será solicitado como voluntário para alimentar cem mosquitos no seu braço ou na sua perna para estudos de marcação-recaptura. Isto ocorrerá duas vezes ao ano”. Dias depois do início do trabalho em campo, segundo a pesquisadora da Fiocruz, representantes da USP alertados sobre os experimentos determinaram a suspensão imediata do procedimento.
A pesquisa contratou 12 pessoas da região e os treinou para capturar mosquitos nove dias por mês.