08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

“Dr. Gastão”


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À beira da tumba de Marx, Engels pronunciou-se: “Hoje deixou de pensar um dos maiores homens que a humanidade já conheceu.” Guardadas as proporções, poderíamos, seus parentes, amigos e admiradores exclamar que o dr. Gastão de Moura Maia Filho fora o maior pensador, humanista e iluminista que já havíamos conhecido. Ao invés disso, permanecemos em silêncio, no singelo ato em que lhe sussurramos adeus. De outra forma ofenderíamos seu culto pela simplicidade e humildade, parceiras inseparáveis de seu inigualável saber jurídico e universal.

Gerações de jovens, ávidos por saber, encontraram no “velho” mestre a orientação segura e amiga antes, durante e mesmo muitos anos depois de suas aulas. Ensinava-nos como quem contava histórias. Ensinava-nos pelas palavras e pelas atitudes. Ensinava-nos por amor e pelo prazer de fazer-se útil, pela consciente alegria de quem sabia-se forjador de cidadãos.

Mas, ainda acima de tudo isso, o que mais me impressionava e despertava admiração por sua nobre figura era sua coragem de viver segundo sua crença na inafastabilidade de qualquer direito por mais simples que fosse, por mais poderosa que fosse a ameaça. A velha árvore não vergava um milímetro na defesa de seus sagrados princípios. “Os homens devem curvar-se apenas perante a lei para não serem forçados a ajoelhar-se diante dos tiranos”.

Por tudo isso e por muito mais que, com certeza, não me foi dado conhecer para admirar é que lembro aos que pranteiam a perda irreparável do dr. Gastão de Moura Maia Filho as sábias palavras de Gabriel Garcia Marques: “Não chores porque terminou, sorria porque aconteceu”.

Carlos Ladeira - RG 6.994.287