Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem a nova estrutura de ponderação que será usada a partir de julho de 2006 para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação que baliza as metas definidas pelo Banco Central (BC). De acordo com a nova estrutura, a gasolina vai substituir os ônibus urbanos como item de maior peso.
A nova estrutura foi calculada com base na última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, realizada entre julho de 2002 e junho de 2003. A gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, explica que o perfil de consumo continua praticamente o mesmo, ou seja, as famílias continuam a gastar recursos com os mesmos grupos de produtos, como alimentos, transportes e outros.
O que muda é a proporção de recursos gastos com cada item. Com a mudança, o peso da gasolina passa de 4,41% para 5,02%. “O significado dessas modificações é que os itens que ganham peso passar a ser mais importantes e interferir mais nas despesas das famílias. Eles vão ter mais influência no bolso do consumidor e ter um reflexo maior nos índices de preços”, afirmou Santos.
Dessa forma, os reajustes da gasolina terão impacto maior sobre o índice. Os ônibus urbanos que ocupavam a liderança na lista de produtos de maior peso na cesta de consumo do brasileiro passaram de 5,19% para 3,32%.
Segundo o IBGE, a alteração reflete o crescimento do transporte alternativo. “Tudo indica que as vans contribuíram para reduzir o peso dos ônibus urbanos”, disse Santos. O peso do transporte alternativo está incluído no dos ônibus urbanos, mas como o transporte alternativo costuma oferecer preços menores puxou o item para baixo.