09 de julho de 2026
Nacional

Palocci prevê crescimento de quase 5%

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro Antônio Palocci (Fazenda) aposta que o crescimento econômico do próximo ano alcance o mesmo patamar atingido em 2004, quando o Produto Interno Bruto (PIB) teve uma expansão de 4,9%. “Eu acho que o cenário que está se abrindo em 2006 é muito parecido com o cenário de 2003 para 2004, com alguns indicadores estruturais até melhores”, afirmou o ministro em balanço de final de ano realizado no Ministério da Fazenda.

Após o forte resultado obtido em 2004, a economia brasileira desacelerou neste ano, quando deve haver, segundo o governo, um crescimento de cerca de 2,5%. As previsões inicias do Banco Central eram de uma expansão de 3,4%, mas resultado do terceiro trimestre, quando o PIB encolheu 1,2%, obrigou o governo a rever suas projeções.

Mesmo com a desaceleração, as altas taxas de juros, apontadas até mesmo por ministros como responsáveis pela queda do PIB, continuarão a ser reduzidas de forma gradual, segundo Palocci. Assim como o BC já havia feito anteontem, na divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), Palocci defendeu o gradualismo da política monetária com as preocupações com a inflação.

Para ele, o controle sobre os preços e uma qualidade dos gastos contribuem para a melhoria dos indicadores de vulnerabilidade externa da economia, assim como a recente antecipação de pagamentos das dívidas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Clube de Paris.

Neste mês, o Brasil decidiu antecipar o pagamento de US$ 18 bilhões em dívidas com esses dois organismos que venceriam até 2007. Palocci afirmou que mesmo com os pagamentos ao FMI, que consumirão US$ 15,4 bilhões neste ano, as reservas internacionais do BC devem ficar em US$ 55 bilhões ao final de dezembro. Ele lembrou que em janeiro de 2003 as reservas estavam em torno de US$ 16 bilhões. “Precisávamos do apoio do Fundo e hoje podemos trabalhar com nossas reservas próprias.”

Com essas medidas, Palocci prevê que o Brasil caminhe para conseguir uma nota de risco não-especulativa das agências de classificações de crédito internacionais.

Reeleição

Palocci negou que tenha a intenção de disputar as eleições do próximo ano e defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu faço muita fé e trabalho muito para que o presidente Lula seja candidato e seja reeleito”, disse. Nos últimos dias, com as crescentes pressões por mudanças na política econômica dentro do próprio governo, circularam rumores de que Palocci poderia deixar o Ministério da Fazenda para ser candidato a deputado federal em 2006. “Eu penso que o cargo de ministro da Fazenda não é compatível com candidatura”, disse Palocci negando esses rumores.

“No dia em que eu quiser ser candidato, não vou esperar prazos”, afirmou ele sobre a data-limite de abril para que os atuais ocupantes de cargos públicos se licenciam para concorrer a novas vagas nas eleições. Ainda sobre eleições, o ministro disse que acredita que não haverá questionamentos durante a campanha sobre a política econômica adotada, já que todas as forças defendem o controle da política fiscal e da inflação.

O ministro deve tirar dez dias de férias entre o final do ano e o início de 2006. Ele afirmou que, como “a economia está melhor”, poderá tirar mais tempo para descansar nos próximos dias.