09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Queda do dólar muda a ceia de Natal

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O bacalhau, peixe tradicional da culinária portuguesa e que a maioria dos brasileiros costuma degustar apenas na época da Páscoa, estará entre os pratos principais das ceias natalinas. Até mesmo no Rio de Janeiro, cidade com fortes raízes da colonização lusitana e onde é comum o consumo do peixes, a venda do produto aumentou. Em Bauru, tanto supermercados quanto peixarias apontam essa tendência.

Importadas geralmente da Noruega, as postas salgadas de bacalhau estão deixando rapidamente as prateleiras dos comerciantes, beneficiadas pela queda do dólar. O baixo preço da moeda americana também contribuiu para o incremento nas vendas de outros produtos importados, como as frutas secas, vinhos e espumantes.

“Apesar da recente aquecida do dólar, os produtos que já estão nas prateleiras não foram afetados”, analisa o economista e consultor financeiro Adriano Fabri. Ele lembra que no Natal de 2002 o dólar era comercializado a quase R$ 4,00. “Daquela época para cá, a moeda americana caiu 40%, o que tornou os importados mais baratos e acessíveis”, explica. Com a queda, o importador pode trazer o mesmo produto dos últimos anos mais barato. “Com certeza a ceia vai estar diferente”, acredita.

A venda de bacalhau em dezembro de 2005 já dobrou os números do mesmo período do ano passado numa rede de supermercados que possui cinco lojas em Bauru. A qualidade do pescado também melhorou segundo a assessoria de comunicação da rede, e o bacalhau tipo Saithe, um dos mais populares, está com mais carne que nos anos anteriores.

Paulo Sanches, gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, ressalta que o bacalhau é uma carne que rende muitas porções. “Uma boa bacalhoada, com 300 gramas do peixe, pode servir até oito pessoas”, conta. Com a queda do dólar, Sanches diz que o peixe está sendo comercializado entre R$ 18,00 e R$ 45,00 o quilo. Para este Natal, ele afirma que a rede comprou mais do produto e pretende reabastecer o estoque para o Ano Novo, quando acredita que as vendas serão maiores ainda.

O gerente avalia que, além do preço, o aumento das vendas do bacalhau é resultado da procura do bauruense por uma ceia mais saudável. “Tem muita gente cansada de leitão”, acredita. Maria Lúcia Pasquarelli, que dirige uma peixaria, concorda com Sanches. “As pessoas estão buscando uma vida mais light”, conta. Apesar de não vender o produto salgado, ela diz que o bacalhau fresco está com excelente procura. “O bacalhau fresco não tem espinhos e couro. O sabor é mais suave”, compara.

Para o Ano Novo, ela conta que os peixes vendem bastante por conta da superstição popular. “Os peixes só se movem para frente”, observa. Robalo e pescada branca são as espécies de água salgada mais procuradas. Para quem busca peixes de água doce, o tucunaré e o pacu são os preferidos.

Frutas e bebidas

Além do bacalhau, frutas secas, vinhos e espumantes importados também estarão na mesa do bauruense. Segundo a assessoria de imprensa de uma rede de supermercados, o público está se beneficiando da queda do dólar para comprar as bebidas. Nesse setor, a rede já registrou aumento de 45% em relação ao último ano. A venda de frutas secas também subiu cerca de 10% na comparação com o último Natal.

O gerente Paulo Sanches aponta que as bebidas estão até 50% mais baratas em relação ao ano passado. “A queda e a estabilidade do dólar contribuíram para isso”. Ele aponta que vinhos importados que em 2004 custavam R$ 25,00, atualmente estão sendo comercializados por R$ 14,00. “A estabilidade econômica está permitindo o acesso desses produtos por uma parte da população que antes não tinha possibilidade”, observa Sanches.

O economista Adriano Fabri, porém, lembra que nem sempre vale a pena trocar o produto nacional pelo de fora. “Nem todos os produtos importados são melhores. O consumidor deve ficar sempre atento à qualidade.”

Bacalhau é o nome que se dá para quatro tipos de peixes desidratados. O Cod, ou bacalhau do Porto, é o mais apreciado e também o mais caro, com lascas grossas. Já o Saithe tem sabor mais forte e desfia com facilidade. O Ling é mais claro e estreito, bastante apreciado no Brasil. O mais barato é o Zarbo.

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Receita

Meia desfeita

(Do chef português Vitor Sobral)

Ingredientes (para dez pessoas):

Para o bacalhau: 3 dentes de alho, 200g de cebola, 5 gemas cozidas, xícara (chá) de azeite extra virgem.

Para o purê: 1,2 kg de grão-de-bico, sal e azeite a gosto, flor de sal.

Para os molhos:

Molho 1 - 25g de açúcar mascavo, xícara (chá) de vinagre.

Molho 2 - 150 g de salsa, 1 xícara (chá) de azeite extra virgem.

Molho 3 - 5 claras cozidas, alho, cebola e um fio de azeite.

Modo de fazer:

Cozinhe o bacalhau com o alho, a cebola e o azeite. Corte em lascas. Cozinhe o grão de bico, previamente deixado de molho em água, com sal e azeite. Separe um pouco da água do bacalhau. Faça os molhos: derreta o açúcar, acrescente o vinagre e deixe engrossar. Reserve. Escalde a salsa e misture com o azeite no liquidificador. Reserve. Bata as claras com o alho, a cebola e o azeite no liquidificador. Reserve. Frite o grão reservado com azeite e salpique flor de sal. Sirva com o purê e enfeite com o grão e as gemas.