09 de julho de 2026
Esportes

Saudade: Morte de Milagre deixa esporte de luto

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 2 min

Sinônimo de futebol amador em Bauru, Eurydes Milagre de Oliveira morreu, anteontem à noite, vítima de um infarto, e deixou de luto o universo esportivo da cidade.

Com 75 anos, 45 deles dedicados ao futebol amador, Milagre presidiu a Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) por 25 anos. Atualmente, era o representante da Federação Paulista de Futebol (FPF) para todas as ligas amadores do Interior de São Paulo.

Em julho deste ano, o atual presidente da Liga Bauruense e sucessor de Milagre, o advogado Mílton Martins, homenageou o ex-dirigente com jantar e imortalizou seu nome em placa de prata na sede da entidade, que tem entre os dizeres: “a sua história confunde-se com a do futebol amador que o senhor edificou como ninguém com solidez e respeito”. Eleito o eterno presidente da liga, o cartão está perpetuado na mesa da presidência da entidade.

A última homenagem a Milagre ocorreu uma semana antes de sua morte. Na ocasião, recebeu a comenda do mérito esportivo da FPF, na Capital.

Martins, que trabalhou com Milagre muitos anos, lembra da dedicação do amigo ao esporte. “É difícil falar de alguém como o Milagre. Foi jogador de futebol, dirigente, se tornou presidente de liga. Uma longa história. Dedicou sua vida ao esporte, a família dele era o esporte”, comentou.

O dirigente revela que Milagre nunca se afastou da LBFA. “Embora não fosse mais presidente, era nosso guia, um amigo, um pai, um conselheiro. Além disso, como ser humano, era uma pessoa extraordinária.”

Martins pretende dar continuidade ao trabalho, inspirado em Milagre. “Quando ele passou a liga para mim, falou: ‘isso é uma filha para mim’. Agora, temos que continuar o trabalho dele.”

Outro que estava bastante comovido com a morte de Milagre era Cláudio Amantini, amigo de longa data. “Era um pessoa estimada na Federação Paulista e é uma perda irreparável para Bauru. Sempre cumpriu todas as regras do futebol. Nunca se envolveu em favorecimento de clubes. Era enérgico, fazia com que a lei fosse cumprida e não dava chance para usarem o nome dele para proteger esta ou aquela equipe.”

Com a morte de Milagre, morrem também várias histórias, a maioria folclore, do futebol amador. Milagre, que trabalhou e se aposentou como advogado da extinta Fepasa, era rápido no raciocínio e tinha tiradas engraçadas.

Quando na década de 80 percebeu movimento político para dividir os estádios distritais com o extinto futebol varzeano “Nivaldo Cardia”, correu os órgãos de imprensa, pregando com estardalhaço: “querem tirar os estádios e desvirginar a Liga que é pura e santa”. O movimento esvaiu-se, relata a assessoria de imprensa da LBFA.