Eis que, enfim, nós que conseguimos chegar ao Natal podemos desfrutar dele. Terminou a tortura de imaginar o presente ideal para os seres amados, de percorrer shoppings, bazares e o comércio popular. De produzir uma ceia suficientemente igual à do ano passado para não fugir à tradição e suficientemente diferente para não provocar monotonia no pessoal. Jesus finalmente chegou à Terra: em vista da magnitude do evento, podemos comer as nozes, o sorvete e suas infinitas calorias com culpa reduzida. Enfim, se existe um dia de relaxamento no ano, é domingo, e os canais de TV paga já captaram o espírito da coisa.
Assim, o Telecine Action, que dia após dia nos atira no mundo das piores atrocidades (e, o que é pior, dos filmes mais vagabundos), domingo muda o tom. Dedica a tarde a “Parque dos Dinossauros” (13h30), seguido de “Mundo Perdido - Jurassic Park” (15h45). A eles segue-se “O Chacal” (18h05). Depois do parêntese “Agente Biológico” (20h20), o dia fecha-se com “True Lies” (22h). De modo geral, só filmes família e “blockbusters”.
A HBO vai mais ou menos na mesma toada e tem sua melhor atração às 18h45, quando exibe “Homem-Aranha 2”, belo exemplar das aventuras desse herói aprisionado em sua própria teia. O canal dá uma derrapada mais à noite, já que “Sobre Meninos e Lobos” (22h45) é um drama pesado para um dia como este.
Mesmo o Canal Brasil segue a regra e traz dois programas bem descontraídos: “Pequeno Dicionário Amoroso” (18h30) e “Deus É Brasileiro” (21h). A tradição de mostrar a vida de Cristo fica por conta do Telecine Cult. Com “A Paixão de Cristo” (22h), não privilegia o maravilhoso, e sim o rancor: toda a ênfase vai para a tortura. É o Natal dos masoquistas.