09 de julho de 2026
Regional

Esgoto desafia Iacanga

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Iacanga – A vegetação na superfície do rio Tietê na praia das Palmeiras, em Iacanga (50 quilômetros de Bauru), é o grito da natureza contra o esgoto in natura despejado no manancial. A comunidade aguarda com grande ansiedade o tratamento do esgoto hoje jogado também no ribeirão Claro. O aposentado José Arrabal, 72 anos, apostou viver em Iacanga adquirindo, na década de 70, a casa de número 15 da rua doutor Sebastião de Paula Xavier, Centro. Ele desabafa o seu descontentamento argumentando que, há muitos anos, não enxerga mais as águas do ribeirão que banham os fundos de sua casa, atualmente encobertas pela taboa. Essa vegetação nativa predomina entre outros vegetais que se proliferam graças ao abundante material em decomposição no ribeirão. Arrabal projeta instalar um hotel em Iacanga para aproveitar o potencial turístico. Por equanto, apenas finalizou três suítes muito bem construídas. “Como vou trazer gente aqui com esse esgoto”, reclama.

Golpe certeiro nas pretensões de Iacanga, a falta de esgoto tratado tirou o viço paradisíaco da cidade e interrompeu o caminhar natural de um negócio que prometia se transformar em mina de ouro. “Se não tiver saneamento não adianta investir no turismo. Com a obra de saneamento básico vai facilitar”, avalia Conceição Aparecida Otero, presidente da Associação de Artesanato de Iacanga (Associarti).

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde confirmou, na semana passada, o início da liberação parcelada de um total de R$ 2.215.550,00, do Programa Água Limpa. Os recursos foram anunciados no início do mês passado e contemplam ainda outros 25 municípios paulistas com população inferior a 30 mil habitantes e que não têm sistema de coleta de esgoto operado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou em julho deste ano que Iacanga possui 8.730 habitantes.

O prefeito Ismael Boiani (PSDB) explica que a poluição dos mananciais vai além do prejuízo ao turismo. Conforme Boiani, a poluição é problema de saúde pública e prejuízo ao meio ambiente. “O que acontece no despejo do esgoto é uma coisa que dá medo. A água fica borbulhando numa região muito grande. A praia das Palmeiras (‘prainha’) está contaminada. O tratamento de esgoto é a prioridade número 1”, contextualiza. O prefeito garante que a praia será recuperada já no início de 2007. A paisagem atual está bastante distante do que projeta Boaini, que sabe que o lago está tomado por mato e assoreado (barro e areia).

Ele explica que a obra de construção da lagoa para o sistema de tratamento de esgoto será finalizada em 2006. A lagoa anaeróbica será construída em cinco alqueires desapropriados na Fazenda Estrela, distante cerca de dois quilômetros da área urbana. O sistema bombeará o esgoto para a lagoa, hoje despejado no ribeirão Claro em local próximo da rua São João, e no Tietê, em ponto à frente de um clube de um banco estatal.