09 de julho de 2026
Regional

Vila Nova Iacanga teme enchentes no verão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Iacanga - A população da Vila Nova Iacanga teme novas enchentes com a chegada do perído de tempestades de verão, como a chuva do último dia 6, que causou inúmeros prejuízos, como perda de alimentos, móveis e destruição da pavimentação das ruas. Durante uma hora e meia choveu 102 milímetros, quantidade muito acima da média. O prefeito Ismael Boiani (PSDB) explica que as obras emergenciais feitas pela administração apenas amenizaram o problema, que só será solucionado com a construção de mil metros de galerias de águas pluviais. A obra necessária liga a tubulação do bairro até o córrego do Areião. O problema se agrava porque o bairro está na direção da enxurrada que desce livremente das rodovias Bauru-Iacanga e Iacanga-Reginó-polis, trechos que pertencem ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão da Secretaria de Estado dos Transportes. Boiani está buscando verbas junto ao governo estadual para a galeria e também para a barreira de contenção na “prainha”. Na última quarta-feira, o prefeito tinha audiência com o secretário dos Transportes, Dario Rais Lopes.

Os moradores da rua Tocu Tanaka estão aflitos com a temporada de chuvas, pois consideram que as tempestades não vão esperar a obra para cair. No final da rua há uma tubulação de águas pluviais arrebentada e de onde jorrou violentamente a enxurrada que deveria escoar pelas galerias até o córrego. O casal Isaira Alves, 65 anos, e Melquiades Alves, 67 anos, gostaria que fosse jogado terra para nivelar a altura da rua com a da sua casa.

No dia da chuva, Mel-quiades, que se locomove com muletas, passou sufoco para sair da residência no número 660. A vizinha da frente, Luanda Eunice de Oliveira, 24 anos, teve sua casa invadida pela enxurrada por volta das 19h. Rapidamente a água subiu cerca de 30 centímetros, destruindo alguns móveis, danificando outros e estragando mantimentos. Sem ter como sair da moradia, Oliveira conta que se desesperou com o filho Humberto Henrique de Souza Campos, 9 meses, nos braços. Seu esposo Paulo Henrique de Souza Campos, 23 anos, estava acudindo uma irmã, mas teve que correr para tirar o filho e a mulher da casa de quatro cômodos completamente alagada. Segundo Oliveira, o momento de pavor para o casal ocorreu quando o marido não conseguia superar a força das águas para entrar na residência. Quando conseguiu correu para dentro do quarto e abriu dois buracos na parede, próximo ao chão, para dar vazão à água. Ela reside há dois meses no imóvel alugado que pretendia comprar, porém está reavaliando investir na Vila Nova Iacanga.

Ao lado, a prefeitura adquiriu por desapropriação um alqueire e meio de terras para a construção de 70 moradias financiadas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). As casas devem ser entregues em 2006, com infra-estrutura da prefeitura e construídas em sistema de mutirão pelo programa Pró-lar Autoconstrução (Habiteto). Outras 200 moradias populares serão erguidas em três alqueires, em terreno desapropriado pela administração, dando continuidade ao Jardim Paraíso e também financiadas pela CDHU. Ao todo, com desapropriações de terra, a prefeitura investiu R$ 250 mil em cerca de 10 alqueires, incluindo a área para a instalação da lagoa de tratamento de esgoto na Fazenda Estrela.

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Cana toma lugar do pasto

Em Iacanga, a indústria emprega em média 650 funcionários, o comércio mais 300 e a atividade rural propicia cerca de 1.500 postos de trabalho. O agronegócio é forte na pecuária, entretanto o pasto está cedendo terreno para a agroindústria sucroalcooleira, que se articula com a implantação da Usina Iacanga. O empreendimento está projetado para iniciar a produção de álcool combustível e açúcar no primeiro semestre de 2008. O prefeito Ismael Boiani (PSDB) revela que a usina iniciou plantio de cana em 2.500 hectares arrendados no município. Até então, 33 mil hectares de pastagem eram ocupados por cerca de 50 mil cabeças de gado. “Está havendo uma migração do boi para a cana. Acredito que os pecuaristas vão investir em tecnologia e fazer um aproveitamento melhor da área, com adubação e rotação de pastagem”, preocupa-se Boiani. Outra cultura que se destaca, conforme o prefeito, é a laranja com um milhão de pés ocupando 2,4 hectares de terras do município. Ele destaca também a carne de javali, uma iguaria que faz a diversificação do agronegócio iacanguense, que ainda tem lavouras de milho, feijão e alho.