No dia 22 de dezembro de 2005 Bauru fui privilegiado com um presente de Natal muito especial, o Concerto de Natal no Santuário do Sagrado Coração. O imponente, ainda não acabado, Santuário estava festivamente decorado para a ocasião. Pelo tamanho do ambiente e apesar do teto alto de zinco e a falta de um biombo acústico atrás da orquestra, a acústica estava bem razoável, oferecendo apenas uma pequena dificuldade de se ouvir os sons mais “pianíssimos”.
O impacto inicial do som de dois coros de metais posicionados em ângulos opostos nas galerias foi de uma grandiosidade tal que me transportou de volta à tradicional abertura do mundialmente famoso “Bach Festival” de Carmel na Califórnia onde as trompetes anunciam o início do Festival do alto da torre da Basílica de Carmel e do campanário do Sunset Center. Imagino também que este mesmo efeito tenha sido amplamente utilizado por Antonio Vivaldi nas suas apresentações de múltiplos coros na Basílica de San Marco, em Veneza.
A primeira peça foi o consagrado Concerto em lá menor para dois violinos e orquestra de Vivaldi. Os solistas Luciano Manduca e Moisés Lauton de Azevedo fizeram uma belíssima performance havendo apenas pequenas falhas de afinação que de maneira nenhuma podem ofuscar o brilho e virtuosidade da execução, ambos são estrelas de primeira magnitude dignos de nossos aplausos e admiração.
Um momento de verdadeiro deleito e encanto foi a entrada do magnífico Madrigal Anima carregando pequenas lanternas coloridas cantando “Un Flambeau Jeannette Isabelle”, vozes em perfeita harmonia e coreografia cinematográfica. Que dádiva divina essa dedicação total à música erudita exercida pelo nosso querido maestro Marcos Virmond, da orquestra de câmera, e dos regentes Irandi Fernando Daroz e Alexandre Rodrigo Schwingel. Graças a eles Bauru se encaminha a paços largos a um desenvolvimento cultural de primeiro mundo.
A execução da abertura de “O Caçador Furtivo”, de C.M. von Weber, pela orquestra foi também um dos muitos pontos altos da noite. A orquestra demonstrou maturidade e respostas precisas à regência do maestro, resultando numa dinâmica muito bem balanceada entre os “crescendo” e “diminuindo”.
O Triplo Glória para coral e orquestra, composição poderosa do maestro Virmond, que foi intercalada entre a execução de algumas obras, contribuiu muito para a solenidade da ocasião com o rufar dos Timpani e Bumbo Sinfônico. Não pude deixar de me emocionar profundamente, me lembrando do grande amigo e mecenas da música erudita, o saudoso Ruben Dario Coube, que doou esses instrumentos à orquestra. Emoção essa que foi compartilhada pela irmã Geni e Lu Machado, como me informaram durante a recepção após o concerto.
Com a apresentação de “Um Festival de Natal”, de Leroy Anderson, tivemos o privilégio de sentirmos as mesmas emoções que as pessoas devem sentir ao compartilhar das comemorações tradicionais natalinas em Nova York, Muskigan ou Boston.
Benedito S. Guedes de Azevedo - professor - RG 1.571.673