Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que, de janeiro a novembro deste ano, foram criados 5.050 empregos com carteira assinada em Bauru. O desempenho colocou a cidade na 19.ª colocação entre as 50 que mais abriram postos de trabalho no Estado de São Paulo neste período.
Em primeiro lugar ficou a Capital paulista, com 182.507 empregos criados nos 11 meses já corridos de 2005. Na segunda colocação vem Campinas, com 17.808 vagas, ficando à frente de São Bernardo do Campo, com 15.088 postos. Bauru teve desempenho melhor do que cidades como São José do Rio Preto (4.980), Sertãozinho (4.778), Taubaté (4.168), Presidente Prudente (3.511) e Americana (3.022).
Os números se referem ao saldo obtido entre o total de admissões e desligamentos de trabalhadores nos principais setores de atividade econômica. Em Bauru, o setor de serviços apresentou o maior saldo positivo no período compreendido entre janeiro e novembro, com 1.877 empregos formais.
Em segundo lugar ficou o comércio, com saldo de 1.672, seguido pela construção civil, com 923 vagas, e pela indústria de transformação, com 438 postos de trabalho gerados no ano. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, comemora e diz que o resultado de Bauru chega a surpreender.
“Apesar de Bauru ter um comércio muito forte, o setor de serviços é o grande empregador da maioria das cidades e há uma tendência de que ele continue crescendo. Este segmento engloba todo tipo de atendimento, como empresas de cobrança, call center, de contabilidade, escolas, universidades, enfim, todas as empresas que prestam algum tipo de serviço à população”, analisa Sampaio.
O secretário observa que o bom desempenho do setor de serviços também vem da incorporação de vagas fechadas em outros segmentos. A terceirização dos serviços contribui muito para esse quadro.
“Há uma série de que são transferidos do comércio e da indústria para o setor de serviços. Uma empresa industrial antiga, além de fazer a transformação do produto também tinha veículos próprios, departamento de promoção de vendas, de análise de crédito etc. A tendência é de que as empresas se centralizem no seu foco principal, e o restante acaba sendo terceirizado”, destaca.
Terceirização
Ele cita como exemplos a contratação de empresas terceirizadas para cuidar dos serviços de limpeza, segurança, do marketing entre outras atividades. “Uma área que tem crescido muito no setor de serviços é o telemarketing, além das empresas de cobrança”, lembra.
Ainda segundo o secretário, os números expressivos de contratação no comércio “mostram a pujança do setor” em Bauru. Segundo informações obtidas recentemente pela reportagem junto ao diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro Motta, no segundo semestre os números do comércio vêm registrando crescimento mês a mês.
Na avaliação de Walace Sampaio, o setor industrial é o que mais sofre com os reflexos de desajustes no cenário nacional. “Nos setores de comércio e serviços, isso se reflete de forma indireta. O primeiro setor que sofre impacto em termos de contratações quando há crise na política ou na economia é a indústria”, aponta Sampaio.
Construção civil
Em relação ao saldo de 923 empregos gerados no setor da construção civil de janeiro a novembro, o diretor da regional Bauru do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Ralph Ribeiro Júnior, alerta para uma realidade menos animadora do que a indicada pelos números.
“Os dados de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da construção dão conta de que o setor crescerá no máximo 1% este ano. A expectativa inicial, em torno de 4,5%, foi totalmente frustrada. Para 2006, a aposta é de que o setor terá potencial para crescer 5,1%. Então, o crescimento deste ano mostra que a realidade não é das melhores”, ressalta Ribeiro.
Segundo ele, levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base no próprio Caged, mostra que, em Bauru, houve um saldo de 639 admissões de janeiro a outubro.
As constantes fiscalizações que vêm sendo efetuadas pela Subdelegacia do Ministério do Trabalho na cidade têm colaborado para a contratação com carteira assinada de muitos trabalhadores do setor que atuam sem registro. “Infelizmente, o índice de informalidade na construção civil está em torno de 70%.”