Longe da São Silvestre, já foi dada a largada para a tradicional maratona doméstica de final de ano enfrentada por pais que conseguiram o “feito” de matricular seus filhos em creches sob a responsabilidade da prefeitura. Pelo menos 1.429 crianças estão em casa desde a última sexta-feira, quando as 15 Escolas Municipais de Educação Infantil Integrada (Emeiis) entraram em recesso.
A partir do dia 2 de janeiro, as unidades (anteriormente conhecidas como creches) dão início às férias coletivas, que vão até o dia 31 do mesmo mês. Algumas das 25 entidades conveniadas à administração municipal, cuja atribuição também é prestar atendimento em período integral a 2.400 crianças de até 5 anos, devem adotar calendário semelhante. Outras permanecerão com as portas abertas, como é o caso da creche da Nova Esperança, mantida pelo Centro Espírita Amor e Caridade.
O vice-presidente da Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru, Uriel de Almeida, não dispunha ontem à tarde de levantamento referente às unidades conveniadas que interromperão as atividades, medida capaz de mudar a rotina das famílias.
A moradora do Parque Real Adriana Regina Solano, por exemplo, deixará de circular pelas ruas em busca de recicláveis para vender. Ela mantém sozinha os seis filhos, com idade entre 10 anos e 10 dias, sendo que dois freqüentam a Emeii do bairro.
Até o final de janeiro, Adriana não arredará o pé de casa para cuidar da prole, cuja subsistência dependerá do auxílio de terceiros. “Minha mãe e minhas vizinhas ajudam (com a alimentação). A creche dá almoço, jantar e banho. Quando pára, não dá para trabalhar. Fora das férias, os menorzinhos ficam na creche e os mais velhos, com uma das minhas irmãs. Agora minha irmã (caçula) toma conta do bebê. Não dá para elas ficarem com todos. É bagunça e briga o dia inteiro”, conta.
Os filhos estão matriculados na mesma Emeii onde também está a filha de Regiane Hilário Batista de Godoy. Mesmo desempregada, o dia-a-dia dela é puxado durante o recesso e férias da unidade. Neste período, ela toma conta, ao todo, de cinco crianças. Dois são seus filhos e três, são primos.
“Se eu conseguir emprego, a Carolaine (a filha de cinco anos) vai com a minha mãe para o trabalho. Ela é doméstica. É chato, mas a patroa não reclama. Aí, o bebê fica com o pai e minha tia fica em eles (os primos). Ela vende sacos de lixo (e teria de parar a atividade)”, comenta. Do grupo, só dois vão à creche os que exigem mais cuidado pela idade. “Eu reclamo direto para a minha mãe. Acho que dá mais trabalho cuidar deles do que trabalhar fora”, admite.
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Déficit
Cerca de 2 mil crianças em Bauru aguardam em listas de espera a chance de se matricularem numa das creches do município. A prefeitura estuda reduzir o déficit com atendimento prestado em estruturas de templos religiosos.
A administração municipal, no entanto, ainda não definiu quais critérios serão utilizados na adequação de espaços. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, para atender a demanda com rede própria seria necessária a construção de 17 unidades novas.