11 de julho de 2026
Bairros

Embalagens do Natal fazem a felicidade dos catadores de recicláveis

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem, um dia após o Natal, as lixeiras estavam cheias. As embalagens de presentes, principalmente as de papelão, fizeram a alegria dos catadores de materiais recicláveis em Bauru. E exatamente por causa da quantidade de material à disposição, o número de catadores de recicláveis dobra nesta época do ano. Porém, com a demanda em alta e a procura em baixa, o preço do papelão e outros materiais recicláveis cai e é preciso esperar até três meses para vendê-los para lucrar com a atividade, informam os catadores.

Mas o pós-festas de final de ano já foi melhor, avalia a catadora Maria de Fátima da Silva. “O produto que mais tem valor é a latinha. Porém, de uns anos para cá, percebemos que as domésticas recolhem para elas e não colocam mais no lixo”, explica.

A concorrência desleal, na opinião dela, faz com que seja raro encontrar as latinhas. “O alumínio é precioso. Os compradores pagam até R$ 2,50 o quilo”, ressalta. Mas ela explica que em função das festas de final de ano, aumenta muito a quantidade de papelão nas lixeiras. “São caixas de brinquedos, embalagens de vinho e de eletroeletrônicos. A quantidade de vidros também aumenta”, relata.

Outra característica da época, segundo Maria de Fátima, é atuação de pessoas que têm outras profissões, mas recolhe recicláveis para complementar renda. São os chamados oportunistas. “Hoje está infestado de gente recolhendo recicláveis. Isso prejudica o nosso serviço”, reclama.

Ela frisa que recolhe recicláveis há oito anos na região do Jardim América. “Eu moro no Parque das Nações e recolho por aqui para poder retornar para casa sozinha. Se o carrinho ficar muito pesado, faço duas viagens”, conta.

Até crianças e adolescentes estavam nas ruas da cidade recolhendo recicláveis. Em parceria com os adultos, eles iam revirando os lixos e separando o material que interessava. Os adultos, com carroças e carrinhos, recolhiam o que os menores separavam.

Além do reciclável

Se os catadores de materiais recicláveis estão reclamando do preço dos produtos que recolhem, pelo menos é uma época boa para ganhar presentes. Ontem pela manhã, a catadora Kátia Souza já tinha ganho bolo, leite e torta. “As pessoas fizeram festa ontem (domingo) e hoje (ontem) não agüentam mais ver a mesma comida. O leite do meu filho já está garantido”, festejou.

Ele lembra que a situação dela é diferente de muitos catadores. “Eu pego reciclável o ano todo e tenho as residências fixas (onde recolhe os materiais). As pessoas já me conhecem e guardam o material para mim”, frisa. No carrinho de Kátia havia algumas latinhas de cerveja vazias. “Preciso de 78 latas para fazer um quilo e vender por R$ 2,50 a R$ 3,00”, comenta.

10% a mais

O aumento de materiais recicláveis nas ruas de Bauru na época do Natal também é notado na Secretaria de Meio Ambiente (Semma), que faz a coleta oficial. No mês passado foram recolhidos 46.535 quilos de recicláveis. Nos primeiros 25 dias deste mês o volume pulou para 51.468, um aumento em torno de 10% ou mais, considerando que o mês ainda não acabou.