Os grandes compradores de recicláveis, especialmente os de papelão, entraram em férias coletivas na sexta-feira passada e só retornam no próximo dia 2. Como eles deixam de comprar, os comerciantes que adquirem o produto dos catadores de recicláveis pagando-os à vista também suspendem as compras ou reduzem a quantidade.
O comerciante de reciclável Wladimir Carrafiello explica que armazenar os materiais recicláveis não é lucrativo. “O capital fica parado até que as fábricas recomecem, enquanto nós pagamos à vista”, explica. Ele relata que há dois meses o quilo do papelão variava de R$ 0,16 a R$ 0,18, mas ontem estava cotado a R$ 0,10.
“O preço do alumínio também sofreu queda. Variava de R$ 3,00 a R$ 3,50 (o quilo). Hoje, de R$ 2,20 a R$ 2,30”, compara. O preço do quilo de garrafa pet, que no meio deste ano chegou a R$ 0,50, ontem oscilava num valor próximo a R$ 0,20.
Além das férias coletivas dos grandes compradores, o comerciante de recicláveis alega que o armazenamento dos produtos coloca em risco a segurança do estabelecimento. “Há o risco de furto”, conta.
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Dinheiro extra
O jardineiro Murilo Rodrigues mora no Parque das Nações e tem um carroça, mas como o serviço de jardinagem está fraco, resolveu aproveitar o dia 26 para conseguir dinheiro extra. “A temporada é boa para recolher recicláveis. Não é boa para comercializá-los. O preço cai muito. Para ganhar com esse produto é preciso armazená-lo”, frisa.
Segundo ele, o preço dos recicláveis só volta a subir em março, depois do Carnaval. Ele explica que tem muita gente recolhendo recicláveis na rua. “É a época. Todo mundo está precisando ganhar algum (dinheiro). O que mais dá dinheiro, as latinhas, não está nas ruas. As domésticas concorrem com a gente e ficam com o filé”, reclama.