São Paulo - Depois de sair do coma, a vítima mais grave da explosão de uma bomba na rua 25 de Março, ocorrida na última sexta-feira, disse para sua família que não lembra de nada que ocorreu naquela tarde que escolheu para conhecer a rua comercial de São Paulo.
Moradora do Guarujá (87 km de SP), a garçonete Monalisa Fagundes do Nascimento, 21 anos, planejava comprar presentes para o Natal, o que não chegou a fazer, segundo sua irmã Mônica, 27 anos. Monalisa permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI ) do Hospital do Servidor Público Municipal. Seu estado ainda é considerado grave.
Assim como ela, o menino Luan Richard Coutinho dos Santos, 2 anos, ainda está na UTI do Hospital Mandaqui onde respira com a ajuda de aparelhos. Ele teve lesões no fígado e no pulmão. A mãe do garoto, Mônica Coutinho dos Santos, 19 anos, não quis falar sobre a saúde do filho.
Ao ver o menino ferido na 25 de Março, ela passou mal e entrou em trabalho de parto dando à luz a um menino na noite do incidente. Ela e o bebê receberam alta ontem. Já o pai de Monalisa, Carlos Fagundes do Nascimento, 55 anos, disse que a filha tem melhorado gradativamente e que na última visita, feita no dia de Natal, ela estava lúcida e perguntou onde estava. “Depois de falarmos que ela estava internada, ela perguntou se o hospital era particular e quanto estava custando a estadia dela. Ela está ficando boa”, disse o pai.
Monalisa saiu na tarde de sexta-feira do Guarujá com o namorado para fazer compras na Capital. Eles viajaram de moto e pretendiam, segundo o pai da jovem, fazer compras. A mãe da jovem, Elizabeth Bezerra do Nascimento, só tomou conhecimento do acidente da filha anteontem. “Tínhamos falado para ela que ela havia caído de moto e estava com a perna quebrada, mas um amigo da família mostrou o jornal para ela com uma foto da minha filha. Foi um choque”, disse Nascimento, que escondeu o incidente da ex-mulher por ela sofrer de depressão.
O pai da vítima acredita que o atentado foi provocado por uma pessoa com intenção de machucar as pessoas. “Esse ato foi terrorismo. Minha filha podia ter morrido”, comentou. Procurado pelo Agora, o delegado titular do 1.º DP, Roberto Bueno Menezes, responsável pelas investigações sobre a explosão na 25, disse apenas que não há novidades sobre o caso. A polícia investiga várias hipóteses, mas ainda não chegou a nenhum suspeito.