“Em uma das pescarias que fizemos ao Mato Grosso ocorreu este este caso que vou discorrer.
Como sempre, estávamos em um mesmo grupo de pescadores. Saíamos de Iacanga, no ônibus do Joaquinzinho (meu sobrinho), com meu irmão Zezinho acompanhado dos filhos Irineu, Joaquinzinho e Cardosão, este último o personagem principal desta história.
De Bauru, como sempre, seguiram eu, meu filho Maurício e também um grande amigo, o pescador Luizão, o qual também faz parte deste caso engraçado.
Nosso destino: rancho São Francisco, em Porto Esperança. Pescador sempre levanta cedo, com aquela vontade de achar logo um bom lugar para fisgar o ‘grande peixe’, pelo menos tem muita vontade...
Saímos pela manhã em dois barcos. Como sempre, muitos preparativos, varas, baldes de iscas, caixa de badulaques, motor, tanque e muita risada. O meu barco sempre saía depois...
Enquanto eu fazia café, Maurício se encarregava das tralhas. Ficava também para este barco o amigo Luizão.
O barco do mano Zezinho sai na frente e ele já grita:
- Vamos na fazendinha, na boca do corixo para apanhar iscas!
Com ele, seguem também os três filhos: Joaquinzinho, Cardosão e Irineu.
Lá chegando, Cardosão deixou uma vara de carretilha na espera, usando uma tuvira de isca. O barco ficou amarrado ao pé de árvore, na beira de um rancho abandonado que lá existia.
Logo em seguida, estávamos encostando nosso barco para ver o ambiente de pesca. O Maurício viu a vara quase dobrando ‘pé com ponta’, como diz o pescador, e já gritou para mim:
- Pai, encosta rápido que tem peixe nessa vara!
Não deu outra, foi só fisgar e o bruto saltou logo abaixo. Um lindo dourado pesando cerca de 8 quilos. Como o peixe já estava cansado, foi fácil embarcá-lo. Fizemos uma verdadeira festa!
O Luizão, como sempre muito gozador, ficou como testemunha e falou:
- Aí Mauricinho, pegou dourado com a ‘vara do Cardosão’!
Aí fica a dúvida: o dono do peixe é quem tira do rio ou o dono da vara, ou melhor da tralha?
Cardosão chegou e viu a vara de espera sem isca e pensou: o peixe levou minha isca.
E ficou por isso mesmo. No passar dos dias, foram só acontecendo as sacanagens do Luizão. O gordo era folgado, tudo que precisava fazer, sempre gritava:
- Mauricinho pega uma cerveja bem gelada!
E Mauricinho retrucava:
- Larga de ser folgado, pega você!
Luizão não tinha dúvida e gritava:
- Cardosão! Preciso contar uma coisa para você!!
Maurício virava um corisco e a cerveja já estava na mão do gordo. Era só risada do grupo, e o Cardosão não entendia nada.
Esta história ficou por muitos anos sem que o Cardosão soubesse a verdade.
Nosso amigo Luizão já passou desta vida para uma melhor, mas sempre é lembrado por este episódio.
Depois de mais algumas pescarias, resolvemos contar o ocorrido para o Cardosão, que levou tudo numa boa, dando muitas gargalhadas.”
João Cardoso Neto é cirurgião dentista e nas horas vagas pescador e acrescenta: “como diz o nosso poeta dr. Olegário: ‘Mais vale um mau dia de pesca, do que um bom dia de trabalho’.