08 de julho de 2026
Articulistas

O que aprendemos com 2005?


| Tempo de leitura: 3 min

O final do ano já chegou. E vamos sentindo, cada vez mais, a celeridade dos tempos em que vivemos. É uma abundância de afazeres que percebemos não ser possível dar conta de tanto ativismo. Fica a impressão de que prevalece a quantidade sobre a qualidade. Temos pressa. Queremos aproveitar ao máximo as coisas, na lógica do carpe diem, condicionados pela mentalidade hedonista e utilitária. O ano passou. E então? O que ficou? O que aprendemos? O que vale para o próximo? O que esperamos realizar com aquilo que fizemos?

Seremos capazes de uma pausa, de uma avaliação mais serena, mais precisa, até do empenho por reparar as tantas faltas cometidas, tantas coisas que queremos e não pudemos fazer, devido a nossas limitações e contingências? Aprendemos na convivência com o outro a sermos mais compreensivos, a entender melhor a dificuldade das pessoas, o que cada uma quer fazer de melhor? Enfim, terminamos o ano com que expectativa?

A vida é um projeto que não se acaba, requer amadurecimento constante, aprimoramento das capacidades, multiplicação dos talentos. A vida exige de nós uma doação constante, quer que demos ao próximo aquilo que temos de bom, quer partilha, comunhão, participação. Por isso a exigência de que não nos acomodemos, que busquemos melhorar, aperfeiçoar-nos como pessoas, que sejamos autênticos, sejamos o que somos, de verdade, para o nosso bem e de quem convive conosco. É desse esforço que fazemos do projeto da nossa vida algo que valha a pena, que motive e nos dá vigor, que realmente possa nos fazer felizes, pois o que realmente conta é a realização pessoal de vida, e não bens materiais acumulados. O que conta é a qualidade das nossas relações pessoais, a amizade autêntica, o calor humano, a criança que temos dentro de nós e que ainda vive, que acredita no futuro, que sonha, que projeta realidades novas, que almeja o melhor.

Que possamos então nesse final de ano, fazer um balanço da nossa vida, daquilo que estamos fazendo, das nossas opções, dos rumos traçados, dos objetivos, e dessa avaliação possamos adquirir um sentido novo, permitindo perspectivas promissoras para o ano que se inicia. Temos condições de fazer muita coisa boa, aproveitar os acertos lá atrás, corrigir os erros, evitando repetir os tropeços, aprendendo com a caminhada, para que a vida seja leve e simples. Que terminemos o ano com a paz de espírito, que é o mais importante, e saibamos ser humildes, sem perder a iniciativa dos novos horizontes, a coragem de novos desafios, a convicção nos valores que dignificam a vida. Comecemos 2006, renovados, animados por dentro, mais dispostos, mais certos de que muita coisa boa pode ser realizada.

Lembremos aqui as palavras do poeta Thiago de Mello: “Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida, e de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira”. Felia Ano Novo para todos.

O autor, Valmor Bolan, é doutor em sociologia, reitor da Universidade Guarulhos - UNG, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor geral da Faculdade Editora Nacional - e-mail: valmorbolan@faenac.edu.br