Se pensarmos sobre a nossa atuação na vida como um jogo, é possível compreender alguns pontos interessantes para o próprio amadurecimento e a evolução da forma de se jogar. A primeira análise focaliza a idéia de que temos um objetivo e nos parece ser o crescimento espiritual, intelectual, emocional, social. Em outras palavras, o desenvolvimento do ser humano integral. Para tanto, contudo, é preciso se basear em alguma diretriz, num modelo de se evoluir. Existem alternativas, especialmente as condutas religiosas e doutrinárias. Embora elas não atendam, a princípio, a alguns, por outro lado elas servem a outros.
Em segunda análise, é bom lembrar que o jogo dura tanto quanto a gente viva, e aprender é o segredo para se avançar cada vez mais. Prosseguir, parar, recuar, recuperar, cair e levantar são parte das ações no tabuleiro da história que construímos. A partir da referência de nossa escolha fazemos as jogadas, as quais, julgamos boas ou ruins oportunamente – assim é esperado para que se analise e mude o que for necessário. Com o tempo e a experiência nos mantemos fiéis ou não aos princípios a que nos apegamos. Não obstante, aos poucos, criamos o nosso próprio modelo com interpretações pessoais. Todavia, ainda assim, podemos manter a essência de nossa referência até os últimos dias.
Caso nosso jogo se baseie nas manifestações de Deus, devemos considerar a terceira análise: os extremos de se jogar. Podemos ser jogadores passivos e permitir que a vida passe diante de nós sem que desfrutemos do crescimento causado pelas dificuldades e sofrimentos inevitáveis, ao evitá-los. Com reduzida atuação deixamos de lado muitas oportunidades de assumir o papel de intervenção que assegura o poder de transformar o caminho e operar jogadas profundamente importantes para si próprio e para o outro por meio das influências de convívio. A acomodação nos prende e atrasa.
Em contrapartida, ao assumirmos a postura de fazer as coisas com maior atuação, as possibilidades de crescer são enormes. Ser mais responsável sobre si mesmo e arcar com as conseqüências engrandecem sobremaneira, além de facilitar cada etapa do jogo da vida. É estimulante e muitos desejam estar neste ponto, mas é preciso arriscar mais e reduzir o medo de ter medo. No entanto, o exagero aqui também é nocivo. À medida que avançamos na direção do crescimento atuante corremos o risco de nos tornarmos orgulhosos em demasia. Abandonamos o manancial que nos deu origem e possui abundantes recursos. Fechamos os olhos para Deus. Interrompemos a sutil ligação com o autor do jogo e, portanto, reduzimos drasticamente a chance de jogar mais acertadamente. Então, sofremos e lançamos culpa e raiva sobre Ele, sem perceber o próprio erro.
Entretanto, a humildade e a compreensão podem facilitar ao jogador que pretende ser mais competitivo e atuar equilibradamente. Nas três análises, dentre outras possíveis a respeito do jogo da vida, podemos observar a importância de ter o objetivo do desenvolvimento integral, que pode se basear num modelo – as manifestações de Deus. Devemos, sobretudo, estar atentos a respeito de passividade ou atividade exageradas durante o jogo. Busque sempre o equilíbrio, tendo como aliadas a humildade e a consciência de que Deus é a maior fonte de saber e inspiração para quem joga e evolui. Não é fácil, mas é simples jogar, desde que se respeite algumas regras: desejar, atuar, equilibrar, evoluir e continuar. Como você tem jogado?
O autor, Armando Correa de Siqueira Neto, é psicólogo - e-mail: selfcursos@uol.com.br