São Paulo - O ministro da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, afirmou ontem que só será possível constatar os valores totais dos prejuízos causados pelas irregularidades apontadas na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) após a instauração de novos processos administrativos disciplinares, sindicâncias e tomadas de contas especiais na estatal.
Esses novos procedimentos foram determinados pela CGU depois da conclusão da auditoria especial realizada nos Correios desde maio a partir de denúncias de corrupção na estatal. Os últimos relatórios da auditoria, divulgados anteontem pela Controladoria, apontam prejuízos de pelo menos R$ 121 milhões aos cofres públicos.
Nessa última etapa foram analisados 35 contratos. Relatórios anteriores indicavam prejuízos em torno R$ 65 milhões. Ao todo foram analisados 257 contratos administrativos, no montante de R$ 8,37 bilhões. “A tomada de contas especial é um procedimento mais meticuloso, mais profundo, que nós determinamos e instauramos. Vamos entrar nos detalhes para verificar de quanto é o prejuízo mesmo. Só se sabe isso, depois que se conclui o processo de investigação completaâ€, afirmou o ministro.
Segundo Pires, a auditoria é uma constatação das irregularidades de uma forma mais geral. O ministro informou que foram encontrados, por exemplo, casos de superfaturamento e contratos de manutenção de equipamentos que sequer foram instalados. De acordo com a Controladoria, as maiores irregularidades em valores financeiros foram encontradas nos contratos referentes aos serviços de transporte da carga postal via Rede Postal Aérea Noturna. O prejuízo potencial estimado para essa área é de R$ 86 milhões.
O ministro afirmou que foram analisados contratados de 1998 a 2005. Pires disse que o resultado da auditoria foi encaminhado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que possam ser abertos processos criminais e cíveis contra os responsáveis pelas irregularidades apontadas. “Não temos essa competênciaâ€, destacou o ministro.
O resultado foi encaminhado ainda para o Tribunal de Contas da União, Ministério das Comunicações, Advocacia-Geral da União, além da CPI dos Correios e aos próprios Correios.