11 de julho de 2026
Cultura

Artistas de Bauru reúnem-se pela diversão

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Um lugar onde a arte vive e se procria por meio de conversas entre amigos e risadas regadas à cerveja. Onde os convidados trocam experiências, encenam performances de teatro e dança, tocam instrumentos, discutem e promovem cultura. Este cenário, onde não é preciso palco nem bilheteria, muito menos limite para a criação, reúne músicos, atores, diretores de teatro e artistas plásticos bauruenses.

Os encontros se dão casualmente na casa da artista plástica Lu Bernardes. É lá onde cerca de 20 artistas promovem uma espécie de sarau, que tem início com o cair da noite e estende-se até o nascer do sol. “Nada é planejado, um liga para o outro e as pessoas vão surgindo”, conta a anfitriã. Nas reuniões, os presentes dão vazão a toda sua criatividade e dons artísticos. “Nós produzimos figurinos, interpretamos personagens e fazemos um som. Mesmo quando não tem instrumentos, a gente canta. São momentos em que voltamos a ser crianças”, afirma Bernardes.

Uma das pessoas que sempre está presente é a atriz Mariza Basso. “Como a cidade não oferece muitas opções culturais noturnas, nós criamos algo novo. Lá, discutimos sobre tudo, desde banalidades até coisas sérias”, afirma Basso, que de vez em quando ataca de DJ. “Levo uns CDs e faço umas sonoplastias. É divertido e totalmente cultural”.

Na última reunião, realizada no mês passado, foi celebrado o aniversário do diretor de teatro e ator Val Rai. O encontro contou com decoração de velas e uma performance de butoh (dança de origem japonesa da década de 60) feita pelo artista. “Esta dança é uma expressão do interior. E na casa, como tem um quintal grande, é ótimo porque rola o contato com a natureza”, explica Val Rai. Mas o artista coloca que a finalidade do encontro não é puramente cultural. “Nosso maior objetivo é o relacionamento, a troca de afeto. Mas como são todos artistas, sempre acontece alguma performance”, diz.

Efervescência

O ambiente é propício para a elaboração de idéias e projetos e fechamento de parcerias. “No último encontro, encenei um pedaço do espetáculo que estou montando baseado no texto ‘Memórias do Subsolo’, de Dostoiévski. No final da apresentação, começamos a conversar e fechamos figurinos e cenários com outros artistas”, lembra Val Rai, que já fez parcerias com Lu Borges e com o diretor de teatro Márcio Pimentel. “O Márcio está com um espetáculo novo e me chamou para fazer a sonoplastia. Além disso, fui convidado outras vezes para ensinar o butoh para o elenco de sua peça”, conta.

São várias as idéias que surgem e que vão sendo estudadas até realmente serem concretizadas. Um dos projetos em andamento é a união das artes plásticas com o teatro. “Alguns quadros que faço serão utilizados como cenário para algumas peças de teatro. Sempre existe um intercâmbio entre as categorias que acontecem graças a esses encontros”, afirma Lu Bernardes.