Sarampo
O Brasil já chegou a registrar mais de 50 mil casos de sarampo em um único ano. Hoje, após intensas atividades de vigilância epidemiológica e de vacinação (incluindo campanhas de vacinação em massa), a situação é bem diferente. Não há transmissão autóctone (local) da doença no País desde 2000 e os últimos nove casos confirmados no período de 2001 a 2005 foram importados do Japão, Europa e Ilhas Maldivas.
No entanto, o risco de reintrodução do sarampo ainda preocupa as autoridades sanitárias. Em países como Japão, Alemanha e outras nações da África, responsáveis por um número considerável de visitantes ao Brasil, a cobertura vacinal em relação a essa doença não é muito ampla e o sarampo continua a ocorrer.
Há, no País, uma segurança razoável da imunização contra o sarampo em crianças. Já em relação aos adultos não se pode dizer o mesmo. Isso se deve ao fato de a cobertura vacinal contra a doença ter sido intensificada no Brasil a partir do final da década de 80. Praticamente todos os bebês nascidos desde então foram vacinados, mas quem tem mais de 20 anos pode não ter recebido a dose e, assim, estar suscetível à contaminação. Por isso, é importante que todos os profissionais dos aeroportos, desde os aeroviários e taxistas até quem trabalha dentro das lojas ou das lanchonetes, tomem a vacina, caso não tenham se vacinado anteriormente.
Turistas, agentes de viagens, guias turísticos funcionários dos hotéis e profissionais do sexo também devem procurar os postos.
Diante disso, o Ministério da Saúde recomenda às secretarias estaduais de municipais de Saúde que desenvolvam estratégias para intensificar a vacinação dos viajantes e dos profissionais da área de turismo. A aplicação da dose nessas pessoas deve ser realizada principalmente nas cidades que atraem mais turistas estrangeiros, como Rio de Janeiro, Florianópolis, Foz do Iguaçu e capitais do Nordeste.
A vacina está disponível em qualquer posto de saúde, mas os próprios empresários de turismo, associações ou sindicatos do ramo podem procurar as representações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) das secretarias estaduais de Saúde e elaborar ações de vacinação para grupos específicos. Nesses casos, o PNI fornece doses da vacina para aplicação nos profissionais.
Poliomielite
Erradicada do Brasil desde 1994, a poliomielite ainda ocorre em regiões que mantêm estreita relação turística e comercial com o Brasil, como é o caso da África. Para garantir a erradicação da doença, o Ministério da Saúde promove, em parceria com estados e municípios, campanhas de vacinação contra a paralisia infantil, de forma a aplicar doses de reforço àquelas recebidas pelas crianças na rotina dos postos de saúde. Portanto, é importante manter o cartão de vacina da criança atualizado.
A vacina é gratuita e está disponível nas salas de vacina do Sistema Único de Saúde (SUS). O último caso de paralisia infantil registrado no Brasil foi em 1989, na Paraíba.
Febre tifóide e cólera
Provocada pela bactéria Salmonella typhi, a febre tifóide é uma doença transmissível associada a baixos níveis socioeconômicos, em especial às precárias condições de saneamento, higiene pessoal e ambiental. A infecção ocorre pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou com urina que apresentem a bactéria S. typhi. Algumas vezes pode ser transmitida pelo contato direto (mão e boca) com fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus de indivíduo infectado. A vítima elimina a bactéria nas fezes e na urina, independentemente de apresentar os sintomas da doença. O tempo de eliminação das bactérias pode ser de até três meses. Portadores crônicos da febre tifóide podem transmiti-la por até um ano.
Os principais sinais e sintomas da doença são febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite, retardamento do ritmo cardíaco, aumento do volume do baço, manchas rosadas no tronco, prisão de ventre ou diarréia e tosse seca. O paciente deve receber tratamento ambulatorial, basicamente com antibióticos e reidratação. Em casos excepcionais, é preciso internação para hidratação e administração venosa de antibióticos. Sem tratamento antibiótico adequado, a doença pode ser fatal em até 15% dos casos.
Para se prevenir da doença, basta ferver ou filtrar a água antes de consumi-la, prevenir-se com higiene pessoal, saneamento básico e preparo adequado dos alimentos, evitar alimentação na rua e, se necessário, dar preferência a pratos preparados na hora, por fervura, e servidos ainda quentes.
No caso da cólera, trata-se de uma doença diarréica infecciosa aguda, causada pelas bactérias Vibrio cholerae O1 e O139. Diarréia e vômito são as manifestações clínicas mais freqüentes. Os principais sinais e sintomas são variados, e vão desde infecções assintomáticas até casos graves, com diarréia abundante e incontrolável, que pode levar a um estado de desidratação grave e choque.
Na forma leve (mais de 90% dos casos), o quadro costuma iniciar de maneira insidiosa, com diarréia discreta, sem distinção das diarréias comuns. Também pode apresentar vômitos. Em crianças, pode acompanhar-se de febre. Nas formas mais graves, menos freqüentes (menos de 10% do total), o início é súbito, com diarréia aquosa, abundante e com inúmeras dejeções diárias. Nesses casos, outras manifestações clínicas podem ocorrer, tais como sede, rápida perda de peso, prostração, olhos fundos com olhar parado e vago e cãibras. Ao perceber alguns destes sintomas, um médico deve ser consultado.
A ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou o contato com o vômito do portador da bactéria que causa a cólera são as principais formas de infecção. Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela água, pelo manuseio ou por moscas. Peixes, crustáceos e frutos do mar, provenientes de águas contaminadas, comidos crus ou mal cozidos, têm sido responsabilizados por epidemias e surtos isolados. Também pode ocorrer a propagação pessoa a pessoa, por contato direto.